A natural irritação, ontem, diante da insensibilidade do Poder Judiciário de”empurrar”, em fim de governo, um aumento “para os seus” fez-me deixar de tratar, com clareza, do que considero mais importante para a crise de legitimidade que enfrentam aqueles que, numa situação de normalidade, deveriam ser mediadores dos conflitos da sociedade.
Pois é isso, afinal, o mais grave elemento da desmoralização de nossa Justiça, não os privilégios – que, afinal, sempre tiveram – que gozam diante da imensa maioria do povo brasileiro.
Afinal, a Justiça, a partir de Sérgio Moro, passou a adonar-se evidentemente das decisões políticas da população, como uma espécie de partido político que não necessita de votos para exercer o mando, eis que sua autoridade vem do cargo que ocupam sem legitimidade política – o concurso, afinal, é apenas a legitimidade técnica e olhem lá se nem isso – e que continuarão a ocupar pelo resto de suas confortáveis vidas.
Ao lado do Ministério Público, instituição que lhe é paralela em tudo, inclusive – e mais ainda – no autoritarismo e nos privilégios, assumiu um evidente protagonismo e a pretensão de exercer o mando sobre as leis e as escolhas do país, num maniqueísmo primário dos “bons” contra os “maus”, território onde habitam políticos, partidos, governantes e todos aqueles que, ao contrário deles, dependem da legitimação popular para existir.
O caso das mordomias abjetas – como o auxílio-moradia e os “n” penduricalhos de que desfrutam – e, agora (como sempre) um reajuste absolutamente fora de hora apenas revelam – e revoltam-nos com isso – o fato é que estamos sendo governados por sujeitos que vivem em uma redoma, que não sentem e não passam pelas dificuldades de 99% dos brasileiros.
Não é à toa que o país está entregue à selvageria. Afinal, o que esperar de uma sociedade onde se afirma o poder autoritário de uma casta, casta que os olhos do povo, não sem razão, passam a ver como a vê-la como uma corporação de nababos.
E cada vez mais ferozes.
TIJOLAÇO

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