Corrupção Sistêmica, por Eduardo Waack
Fotografias de Simone Detoni
Como erva daninha que se arrasta pela terra, roubando seus nutrientes e sufocando a plantação, a corrupção é um mal que arruinou nosso país. Espalhada por todos os setores da sociedade, da política à iniciativa privada, estende seus tentáculos aonde exista um ser humano sem escrúpulos buscando acumular riquezas. Este crime hediondo, oriundo de um sistema apodrecido, significa menos hospitais, escolas, emprego e segurança para a população carente. Enquanto grupos ilícitos continuarem em negociatas, seremos cada vez mais espoliados. E todos temos uma parcela de culpa, ao permitir que isto aconteça impunemente.

Os economistas Miriam Golden e Ray Fisman, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, publicaram em 2017 o livro "Corrupção — O Que Todos Precisam Saber", onde afirmam que há notável correlação negativa entre a renda per capita de um país e o nível de corrupção percebida. Por isso nos querem confusos e alienados. A corrupção retarda o desenvolvimento de uma nação ao subtrair recursos destinados a melhorar o bem-estar da população. Semeando insegurança e descrédito, ela desestimula negócios e investimentos. O custo que ambientes políticos contaminados impõe a quem não quer delinquir é muito alto. Segundo o jornal The New York Times, "corrupção é como as coisas funcionam no Brasil e isso nunca foi segredo". Mas será correto? Nosso sistema político é construído há décadas sob uma corrupção penetrante, das prefeituras municipais e câmaras de vereadores aos mais altos escalões da República. O nefasto ditado "rouba mas faz" é um exemplo. Somos o quinto país mais populoso do mundo e temos poucos líderes confiáveis. A cada dia cai mais um.

Extirpar a corrupção no Brasil é mais do que simplesmente remover algumas maçãs podres da cesta de alimentos, porque são tantos os implicados que nossa classe política está acabando. A Operação Lava Jato já faz parte do vocabulário brasileiro e internacional. A corrupção sistêmica infectou o país, incentivando e até obrigando o mau comportamento. Oligarquias empresariais e políticas especializaram-se em roubar sonhos. Mas não basta investigar apenas os favorecidos no fim das cadeias de corrupção. Há aqueles que atuam para esconder recursos e fluxos financeiros ilegais; bancos, empresas e outros nefastos artifícios foram criados para este fim. Conforme cresce o número de pessoas que participam da corrupção, maior é a capacidade de uma pessoa encontrar parceiros no crime. E os benefícios de permanecer honesto diminuem. Para o professor de direito em Harvard Mathew C. Stephenson "as instituições normais de justiça — tribunais, promotores e auditores — estão de tal forma corrompidos que você pode roubar impunemente". Isso reforça a percepção de que a corrupção é universal e inevitável, pois pessoas invertidas mergulharam o país em um caos político, moral, social, econômico. Vivemos uma crise de valores.

Mas não podemos perder as esperanças, nem desanimar. Devemos continuar lutando por um país melhor. O cientista político da Universidade Cornell Ken Roberts afirmou, em relação ao Brasil: "eu realmente me preocupo em limpar todo o sistema, porque vai desmoronar". Nossas elites, acostumadas ao dinheiro fácil, à dominação, à barganha e à mentira, já não representam o povo, que deseja renovação e paz. Desejamos ser feliz, trabalhar, esforçar-se no plantio com a certeza da colheita farta. Dias de medo e angústia passarão, e uma nova luz iluminará os despossuídos. Maurício Santoro, cientista político da UERJ, conclui: "todo mundo está um pouco perdido". A única certeza que temos é que o Sol nasce toda manhã, afastando a escuridão. As criaturas das trevas serão expulsas do paraíso, e a liberdade abrirá suas asas sobre nós, então poderemos voar, crescer, amar e conquistar aquilo que nos pertence!


GGN

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