"Das favelas à liderança da Petrobras" é o título do perfil de Maria das Graças Foster, publicado nesta quinta-feira (9) pelo Les Echos.Reprodução/Les Echos
O jornal Les Echos publica em suas edições especiais de verão uma série de perfis de mulheres pioneiras na economia em todo o mundo. Nesta quinta-feira (9), o diário traz o retrato da ex-presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.

"Das favelas à liderança da Petrobras" é o título do perfil desta que foi a primeira mulher a dirigir a mais importante empresa da América do Sul e a primeira também a comandar uma companhia petroleira. "Em 2012, depois de trinta anos de uma carreira exemplar, essa filha das favelas do Rio torna-se presidente da Petrobras. Três anos depois, ela renunciará devido ao escândalo de corrupção no grupo", publica Les Echos.

Para o jornal, a história de Maria das Graças Foster "é a do esforço incomum para deixar sua condição". Nascida em 1953 em uma família pobre do interior de Minas Gerais, ela se muda dois anos depois ao Rio de Janeiro com a irmã e a mãe, fugindo do marido violento.

O jornal destaca que, desde pequena, no Complexo do Alemão, Maria das Graças recolhia garrafas plásticas e latas de conserva, que revendia a empresas de reciclagem para pagar seus estudos. "Dessa infância, ela manterá um modo de vida discreto", salienta Les Echos, lembrando que, mesmo durante o período em que foi presidente da Petrobras, Foster continuou a morar em um modesto apartamento de Copacabana e recusou as regalias oferecidas pela empresa, como a possibilidade de ter um veículo e um motorista particular para fazer o trajeto de casa até o trabalho.

30 anos na Petrobras


Engenheira química pela Universidade Federal Fluminense, ela se especializou, no final dos anos 1970 em engenharia nuclear. Aos 25 anos e com uma expertise rara, foi contratada pela Petrobras, no início dos anos 1980, onde traça uma carreira brilhante.

Nos anos 1990, conheceu Dilma Rousseff, na época secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, com quem desenvolve uma boa relação. Tão boa que, em 2003, quando a petista é nomeada ministra de Minas e Energia por Lula, é Foster quem passa a dirigir seu gabinete, mas sem deixar a direção de filiais da Petrobras.

A petroleira, por sinal, não tem nada a reclamar da aplicada comandante: as divisões da empresa lideradas por Foster entre 2007 e 2011 passaram de um déficit de US$ 760 milhões a um lucro de US$ 1,7 bilhão. Resultados que levam Foster ao topo da Petrobras.

Depois da ascensão, a queda


Maria das Graças assume a liderança da petroleira em fevereiro de 2012, mas seus problemas começam alguns meses depois, destaca Les Echos. Em abril de 2012, a imprensa descobre as suspeitas que pairam sobre o marido de Maria das Graças, Colin Foster, fundador de uma companhia especializada na concepção de sistemas eletrônicos e que teria obtido contratos importantes da Petrobras, sem nenhuma licitação.

A petroleira nega qualquer irregularidade, mas o caso envenena o mandato de Maria das Graças, um episódio que "nada é, comparado à bomba que explodiu em 2014", quando começa a operação Lava-Jato, resultando, nos anos seguintes, no impeachment de Dilma e na prisão de Lula.

"Será que Foster sabia de algo?", questiona o jornal, lembrando que ela sempre negou tudo, mas foi obrigada a renunciar à liderança da Petrobras em fevereiro de 2015. "Desde então, a criança prodígio das favelas do Rio acumula interrogatórios diante de comissões de investigação", conclui Les Echos.


RFI

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