Em um dia como este, no ano de 1947, o Kon-Tiki, uma jangada feita de madeira pau-de-balsa capitaneada pelo antropólogo norueguês Thor Heyerdahl, completou de 6.920 quilômetros, ao longo de 101 dias de viagem do Peru até Raroia, no arquipélago Tuamotu, perto to Taiti. Heyerdahl quis provar sua teoria de que pré-históricos povos da América do Sul colonizaram as ilhas da Polinésia flutuando pelas correntes oceânicas.

Heyerdahl e seus cinco companheiros de viagem iniciaram a aventura de Callao, Peru, na embarcação Kon-Tiki, de 3,71 metros quadrados, em 28 de abril de 1947. A jangada recebeu este nome por conta de um cacique mítico branco e foi construída com materiais indígenas e projetada para assemelhar-se às jangadas usadas pelos antigos índios sul-americanos.

Em sua passagem pelo Pacífico, os marinheiros tiveram que enfrentar tempestades, encontraram tubarões e baleias, antes de, finalmente, desembarcarem em Raroia. Heyerdahl, nascido em Larvik, na Noruega, em 6 de outubro de 1914, acreditava que os primeiros habitantes da Polinésia teriam vindo da América do Sul. A teoria entrava em conflito com a popular opinião acadêmica de que a origem destes povos seria da Ásia. Mesmo depois de sua viagem de sucesso, antropólogos e historiadores continuaram a desacreditar nas crenças de Heyerdahl apesar de ele provar que a viagem era possível aos povos antigos.

Contudo, sua aventura atraiu a atenção do público e ele escreveu um livro sobre sua experiência, que se tornou um best-seller, foi traduzido para 65 idiomas e vendeu 25 milhões de cópias. Heyerdahl também fez um documentário e recebeu o Oscar, em 1951.

Heyerdahl fez sua primeira expedição à Polinésia em 1937. Ele e a sua primeira esposa viveram primitivamente, durante um ano, em Fatu Hiva, nas Ilhas das Marquesas, para estudar as plantas e a vida animal. A experiência o levou a acreditar que os habitantes dali teriam vindo de outros lugares, flutuando em embarcações em correntes oceânicas vindas do leste.

Após sua expedição Kon-Tiki, Heyerdahl fez viagens arqueológicas a lugares como as Ilhas Galápagos, Ilha de Páscoa e Peru e continuou a testar suas teorias de como as viagens ao longo dos mares tiveram um papel importante nos padrões migratórios de culturas antigas. Em 1970, ele navegou ao longo do Atlântico, do Marrocos para Barbados, em um barco de junco chamado Rá II (por conta de Rá, o deu egípcio do Sol), para provar que os egípcios poderiam ter contato com os povos pré-colombianos das américas. Em 1977, ele navegou o Oceano Índico em outro barco primitivo de  junco, construído no Iraque, para aprender como civilizações pré-históricas da Mesopotâmia, do Vale Hindu e do Egito poderiam ter estabelecido contato.

Apesar de o trabalho de Heyerdahl nunca ter sido abraçado completamente pela maioria dos estudiosos, ele seguiu ganhando prêmios acadêmicos e governamentais, além de ter se tornado uma figura muito popular. Foi votado o "Norueguês do Século" em seu país. Ele morreu aos 87 no dia 18 de abril, na Itália. A jangada da sua famosa expedição de 1947 está exposta no Museu Kon-Tiki, em Olso, na Noruega.


Imagem: See page for author [Public domain], via Wikimedia Commons

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