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| Capa do jornal Aujourd'hui en France desta segunda-feira, 20 de agosto de 2018Fotomontagem RFI |
Após uma crise que fez tremer a Europa, esta segunda-feira (20) marcará a saída da Grécia da tutela do Fundo Monetário Internacional (FMI). O país esteve oito anos sem acesso aos mercados, sobrevivendo graças aos mais de € 270 bilhões que recebeu em ajudas. Mas apesar das reformas realizadas, o país continua mostrando sinais de fragilidade.
“Será o fim do pesadelo? ”, pergunta o jornal Aujourd’hui en France. “Um novo horizonte está chegando”, festejou o governo grego, que respira aliviado após oito anos de uma crise sem precedentes. Após a última parcela de € 15 bilhões depositada em agosto, o terceiro plano de ajuda à Grécia chega ao fim. O fim de uma década traumatizante para este país que esteve à beira da falência em 2009. Para evitar o pior, € 274 bilhões foram emprestados, em três acordos: 2010, 2012 e 2015.
Mas este resgate não veio de graça. Além de enfrentar oito anos de recessão, com o PIB caindo 25% e o desemprego chegando a 28%, tiveram que aguentar a difícil cura de austeridade imposta pela troika - jargão econômico utilizado para se referir às três instituições internacionais que emprestaram dinheiro à Grécia – Comissão de Europeia, Banco Central Europeu e FMI.
450 reformas
Ao todo, o parlamento grego votou 450 reformas para diminuir os gastos públicos e modernizar a economia. Em menos de dez anos, os funcionários públicos perderam mais de 40% de seus salários. Os idosos quase 50% de suas aposentadorias. Milhares de jovens gregos emigraram em busca de empregos.
Foram oito anos marcados pela revolta da população, com mais de 50 dias de greve geral e manifestações frequentes. Sem credibilidade, o todo poderoso Pasok, o partido socialista grego, desmoronou e abriu espaço para a chegada do Syriza em 2015. Seu líder, Alexis Tsipras, e o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, prometem o fim da austeridade mas acabam recuando após ameaças da chanceler alemã Angela Markel em votar uma saída da Grécia da zona euro.
Situação melhorou, mas vigilância continua
De fato, hoje, o país mostra melhores índices. No primeiro trimestre de 2018, houve um crescimento econômico de 2,3%, as exportações vão bem, o desemprego está abaixo dos 20% pela primeira vez em sete anos e as agências de riscos elevaram a nota do país várias vezes nestes últimos tempos.
Mas o país continua sobre estreita vigilância. Existe ainda uma dívida abissal e o FMI tem dúvidas quanto a capacidade da Grécia em reduzi-la. Um economista ouvido pelo jornal Aujourd’hui en France, afirma que “a crise grega não foi resolvida” e que só foi “empurrada para mais tarde”. Klaus Regling, diretor do programa de ajuda europeu, lembra que a Grécia precisa continuar a fazer esforços. “A crise do euro terminou, mas não vimos melhora nos relatórios econômicos dos gregos”, afirmou.
O governo prevê novas medidas. As aposentadorias serão reduzidas novamente. Neste contexto, Alexis Tsipras e o Syriza terão dificuldades nas próximas eleições legislativas de 2019. O Aujourd’hui en France” conclui escrevendo uma das manchetes de um jornal grego: “o plano de ajuda terminou, mas o pesadelo continua”.
RFI

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