A oficialização da candidatura do ex-presidente Lula, pelo PT, vai além de uma simples confirmação ou um ato protocolar de eleição. Em meio a um dos golpes de estado de natureza mais perversa da história do país, por manter a dúvida entre a ilegalidade e a pseudo-constitucionalidade, o maior partido de esquerda da América Latina decide manter, à revelia da ditadura do Judiciário, a candidatura do ex-presidente Lula, um preso político.

O ato, em si, se torna uma importantíssima afirmação da discordância com o estado de coisas estabelecido pela Lava Jato. Lembra, então, a afirmação imperativa de que quando as leis são desumanas, a desobediência é uma obrigação.

A união em torno do nome do ex-presidente Lula foi demonstrada pelos 600 delegados da executiva nacional do PT, com voto unânime por aclamação. O valor desse ato afirmativo para a história do país, ainda não mensurado, figurará nos livros da historiografia futura, como o dia da desobediência. Mais do que isso, levar a candidatura do ex-presidente, preso injustamente, até o final, obrigando o judiciário a sujas suas mãos no golpe, está além de uma estratégia eleitoral, é uma demonstração da dignidade histórica presente somente nos que rebelam.

Acima de tudo, se viver é um ato político, a rebeldia é o que dá significado ao sentido de mudar um mundo tão completamente injusto. A candidatura Lula legitima as ocupações de terreno, as ocupações das fábricas, as ocupações de terras improdutivas e as diversas vezes se enfrentou o Batalhão de Choque, pelo direito a ter voz. Mesmo que em muitos casos saibamos da expulsão, muda-se muito pouco, com o máximo de insistência mas, a desistência nunca será uma opção.

Lula, agora, se torna símbolo do desejo de mudança profunda, muito além da conciliação simbólica de classes. O que nasce hoje é o destino manifesto do retorno ao poder que, cedo ou tarde, ocorrerá no Brasil. Hoje, nos tornamos a chama que derrotará o império do judiciário.

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