Já deu para notar que, neste processo de final das convenções partidárias e escolha dos vices não há ninguém mais sereno que o senhor Luís Inácio Lula da Silva.

Lula considera, com razão, que chega à metade do segundo tempo da corrida presidencial com larga vantagem e que, portanto, quem tem de correr são os adversários. Outra história é o de quererem vencê-lo no “tapetão”.

Vai usar os prazos legais até o último minuto, pois sabe que, como naqueles filmes policiais, “tudo o que fizer e disser será usado contra ele”.

Sabe que as marolas levantadas por situações como a de Marília Arraes, em Pernambuco, vão se desfazer como espuma, como esta se desfez num gesto de sabedoria política da petista, que registrou sua objeção, firmou sua liderança e colocou, como dizia antes e como competia a quem enxerga o que se passa no Brasil, seu nome a serviço da viabilidade de Lula.

Quanto à possível indicação de Manuela D’Ávila a vice, a “freada de arrumação” é um sinal.

Manuela soma, porque é mulher, jovem e aguerrida.

Gleisi Hoffmann, falando em nome de Lula, fez um aceno ambicioso a Ciro Gomes:

“Nós temos o PDT como um partido aliado, inclusive faz parte de uma frente política que nós criamos já há algum tempo, tem um manifesto lançado. E já externamos sim a vontade de ter o PDT junto nessa caminhada. Eu acho que Ciro Gomes seria um bom vice para o presidente Lula”.
Improvável, com certeza, mas não impossível. E, menos ainda, ilógico.

Ciro deixaria a posição a que foi relegado de pequeno coadjuvante a interlocutor principal do processo eleitoral.

Uma composição, aliás, é mais arriscada para Lula que para ele, pela incontinência verbal do ex-governador cearense.

Mas não há dúvidas que, por sua voz, colocaria Lula no centro do debate político cotidiano.

Seja como for – ou se afinal, nada for – o simples aceno feito a ele desmonta a conversa fiada de se pretender uma “união de esquerda” em torno de quem tem votos, mas muito menos votos que aquele que simboliza a resistência ao golpe.

Lula, do fundo de uma cela, dá tamanho de estadista a esta eleição de micróbios políticos. Resiste, teima, espera e age.

É dele, e de mais ninguém, o papel reitor deste processo duro e difícil.

Os pretensiosos, os que precisam esconder sob um “independência verbal” o seu temor e até ojeriza a que o sentimento popular conduza o processo político-social têm medo de parecerem “lulistas”.

Mas quem é independente, mesmo, quem defende este país contra a consumação do golpe antinacional e antipopular, que quer nos reduzir a colônia e ditadura.

Sem medo de estar com quem não tem medo de enfrentar, até o fim dos seus dias, uma cela fechada para abrir os caminhos do Brasil.

TIJOLAÇO

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