A vereadora do Recife Marília Arraes foi para o embate com a direção nacional do PT, pelo direito de ser candidata a governadora de Pernambuco. Ratificada por uma militância aguerrida como não se vê em quase nenhuma campanha, e amparada por 92% dos delegados do PT pernambucano que decidiram por uma candidatura própria, Marília está em São Paulo para acompanhar a decisão final do PT sobre a questão.
Marília Arraes trava a mesma batalha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos lutam pelo direito de ser candidatos. De disputar a decisão dos eleitores sobre quais destinos querem dar a Pernambuco e ao Brasil. O PT, que está indo às últimas instâncias judiciais e políticas para garantir a participação democrática de Lula nas eleições, peca em usar sua verticalidade para interditar a participação democrática de Marília, que luta pela liberdade do ex-presidente.
Por mais que sejam factíveis, pertinentes e hierárquicos em última instância os argumentos da direção nacional do PT em defesa da aliança com PSB, não ficou claro que a cabeça de Marília, servida a um preço político irrisório, irá ajudar o ex-presidente Lula. Ou, dito de outra maneira, por que os eleitores mineiros têm o direito de decidir sobre a reeleição de Fernando Pimentel e os eleitores pernambucanos não têm o direito de decidir sobre a eleição de Marília Arraes?
O desafio que a modernidade impõe ao PT é o do futuro. O PSB não emprestará seus 47 segundos de propaganda eleitoral ao PT. Por si só, este é um motivo mais do que suficiente para o partido não comprometer uma candidatura promissora como a da neta de Miguel Arraes.
Marília mostrou que não é candidata de si mesma, está assentada na base da militância petista. Ela floresceu em homens e mulheres que acreditaram no discurso de formação política do PT e foram ao protagonismo pela política. Seguiram a democracia interna e decidiram.
Além disso, é preciso considerar a vontade da militância em favor de Marília também como uma esperança de mudar a realidade dramática do estado. Pernambuco vive uma explosão de violência – só em 2017 foram 5.427 assassinatos registrados, 21% a mais que 2016; tem a terceira maior taxa de desemprego entre todos os estados, de 17,7%; o percentual de jovens que não trabalham nem estudam subiu de 29,4% em 2016 para 32% em 2017. Além disso, a taxa de mortalidade infantil subiu 8,27% em 2016.
O PT vai abrir mão de uma candidatura própria para apoiar um governo que entrega esses indicadores à população?
Marília Arraes tem demonstrado que honra não apenas o sobrenome, mas a história do seu estado. O secular Leão do Norte, que mais lutou pelo fim das injustiças sociais no Brasil Império. A jovem de 34 anos, que nasceu quando o Brasil ainda vivia sob a ditadura, é a prova que o PT detém ainda a força da renovação e que está conectado com os anseios legítimos do povo.
Ceifá-la deste modo é um grave erro, que pode custar ao PT o seu retorno ao Palácio do Planalto.
Brasil 247

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