
Quando se trabalha com planejamento de comunicação, define-se o objetivo e o desafio que se tem de enfrentar para alcançá-lo.
Não é diferente com uma campanha político-eleitoral.
O objetivo da comunicação, no caso da campanha presidencial do PT, no caso provável da negação de seu direito legítimo de ser candidato, é informar que Fernando Haddad é o candidato de Lula e legitimá-lo nesta condição e na de personagem político qualificado para representar o ex-presidente.
Vejam que é diferente do que seria uma campanha em condições normais, onde o candidato tem como maior esforço o de convencer o eleitor de que seu projeto e suas vinculações políticas são as que interessam e motivam os cidadãos.
Lula já tem – e como tem! – isso e nenhuma pesquisa o coloca longe dos 40% do eleitorado.
Pode não ser- como não foi em todas as campanhas presidenciais desde 2002 – o suficiente para vencer em primeiro turno, embora o componente emocional da perseguição que sofreu e sofre e o desastre do governo Temer, que leva junto o PSDB façam diferença, desta vez, e o ex-presidente, pessoalmente, pudesse triunfar na primeira volta eleitoral.
Mas a realidade perversa que se desenha é a de sua exclusão e, a partir daí, o problema da comunicação é saber como transferirá a Fernando Haddad este patrimônio eleitoral que Lula construiu em seus governos.
Patrimônio, aliás, que não está expresso nos 39% que lhe dá o Datafolha, mas provavelmente agrega uma parcela dos que, convencidos de que Lula não será candidato, manifestam intenção de voto em outros candidatos com os quais simpatizam.
Daí que o núcleo da comunicação é, primeiro, informar que “Lula é Haddad” e, portanto e sem vacilações, “Haddad é Lula”.
Não é um candidato comum, que apresenta um elenco de propostas e medidas de sua formulação: a sua representação é a de “procurador” de Lula e só os tolos chamam isso de “poste”, porque acham que a política é ou deva ser um desfile de vaidades.
Isso não cola, porque não passa pela cabeça de ninguém que possa faltar capacidade pessoal para alguém que tem o currículo de Haddad.
O segundo ponto da campanha, o da emoção, é o grande diferencial da comunicação que a propaganda Lula-Haddad conterá e nem é preciso muito esforço para fazê-lo, pois há matéria-prima de sobra para isso.
Não apenas, como antes, a saga do retirante nordestino. Mas a memória recente do que foram seus governos, a inclusão que construiu a identidade com o povão e, daí, a fidelidade indestrutível, que sobreviveu a uma campanha de ódio e perseguição e sobrevive á própria prisão de Lula.
Neste aspecto, nada é tão importante quanto a decisão da ONU de que ele deveria poder ser candidato e falar livremente: dá legitimidade e razão compreensível à verdade de que sua exclusão das urnas é um processo político, muitíssimo mais que judicial.
Com estes ingredientes, penso que os dois minutos de TV, no programa eleitoral, e as inserções na programação normal, multiplicadas pelas redes sociais e com os acréscimos massificadores que elas permitem que se supere o bloqueio da imprensa e se supere o latifúndio televisivo – com certeza enfadonho e insípido – de Geraldo Alckmin.
Do lado de lá, dificilmente Bolsonaro e Marina Silva terão combustível para crescer com a TV, pelo pouquíssimo espaço que terão, em razão de seu isolamento político.
Quem espera alguma surpresa na campanha de “tiro curto” a que reduziram os horários eleitorais, espere-as do lado da campanha petista.
TIJOLAÇO
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