A Folha hoje estampa, em manchete de página, uma estranha descoberta, a esta altura, dois anos e meio quase após o golpe.

No Congresso, PSDB e centrão votam juntos e com Temer.

E, no detalhado – e complicado – gráfico que reproduzo acima, mostra como nos projetos de interesse do governo golpista, os partidos do centrão e os tucanos ofereceram cotas de apoio que sempre passaram muito de 80% e frequentaram as vizinhanças dos 100%.

Há mais nisso que coincidência e apoio, há identidade, como naquela velha frase lógica que “se A =B e B=C, então A=C”.

Se o “Centrão”, em si, porta-se como uma só força, mesmo sendo integrado por ajuntamentos, digo, partidos, diferentes, por que é que não se pode dizer que os tucanos são parte dele.

E como eles é que dão a maioria (52%) do Congresso a Temer, muito mais que as seis dezenas dos confusos deputados do PMDB, não é evidente que são eles o governo que o país tem?

“Tem olho de jacaré, tem rabo de jacaré, tem couro de jacaré: como é que não é jacaré?”, dizia na suas metáforas simples de entender o velho Leonel Brizola.

A mídia, ao contrário, fala sempre de forma a que não se possa entender e, sobretudo, compreender que a candidatura Geraldo Alckmin, com seu corpo de jacaré, patas e rabo de jacaré, mesmo tendo cabeça de chuchu, é jacaré.

Este é o esforço de compreensão que precisa ser desenvolvido, uma vez que o povo brasileiro n]ao conta com uma imprensa livre, mas com uma máquina de propaganda que -salvo estes lampejos como o de hoje na Folha – dedica-se a camuflar o obvio.

Esconder o óbvio – inclusive com a patética figura de Henrique Meirelles a servir de biombo ao “temerismo” – não é tarefa fácil, apesar do imenso poder de comunicação de que dispõem é a tarefa da candidatura Lula/PT, a despeito do esforço que alguns fazem para focar o debate em querelas lisérgicas.

O combate está porta afora, não dá para ficar de bate-boca em casa.
TIJOLAÇO

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