
No G1, Jair Bolsonaro chama de “desgraça” o Ministério Público do Trabalho, ao fazer campanha em Catanduva (SP).
Não é o único dos candidatos que pensa assim, mas ao menos é quem o diz.
Ao contrário do restante do Ministério Público, os procuradores do Trabalho, não são “queridinhos” da Fiesp, do agronegócio, dos bancos.
Não tratam de perseguições políticas, mas de trabalho escravo, de segurança no trabalho (o Brasil é recordista de acidentes laborais), de sonegações coletivas de direitos – não, o MPT não funciona como advogado de indivíduos -, do trabalho infantil e de discriminações de empregadores, essencialmente.
Mas, diz Bolsonaro, empresário algum consegue trabalhar com ele “no seu cangote”.
-Um país que tem um Ministério Público do Trabalho atrapalhando não tem como ir para frente.
Atrapalhando, possivelmente, é exigindo que assine a carteira de seus empregados? A que não os aloje em taperas? Que não opere sem proteções ou em situação de risco que lhes levem uma mão, uma perna, a vida? Ou que não ponha crianças a trabalhar quebrando pedras ou queimando madeira em carvoarias?
Também não saem fechando fábricas nem estabelecimentos rurais a torto e a direito e quase sempre tentam a correção dos problemas através de Termos de Ajustamento de Conduta.
Ali mesmo, em Catanduvas, de dezembro para cá, propôs dois deles: um com uma empresa de medição de energia que obrigou 88 empregados a assinarem pedidos de demissão para receberem parte das indenizações devidas e outro, com a Caixa Econômica, intimando-a a registrar o horário de trabalho dos seus funcionários, a quem impunha horas-extras sem pagamento.
Registre-se, porém, que há coerência mas posições de Bolsonaro. Quem se propõe a ser um “capitão do mato” dos patrões tem de ver, mesmo, os trabalhadores como escravos.
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