O general Antonio Hamilton Mourão (PRTB) deveria olhar ao redor antes de emitir a sua visão racista da formação cultural brasileira.
Em um evento nesta segunda-feira, o candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que a “indolência” herdada pelos índios e a “malandragem”, herança dos africanos, atrapalham o progresso no país.
A passagem com matiz neonazista, por si só, não destoa da figura do general Mourão. Para alguém capaz de idolatrar o torturador e ex-chefe do DOI-CODI na ditadura militar, o coronel Carlos Brilhante Ustra, crer nas mentiras propagadas pelo racismo científico em voga no início do século passado é uma demonstração de coerência.
Por outro lado, criticar a malandragem é apontar a baioneta para o próprio coturno. Tendo Bolsonaro e Levy Fidelix de comparsas na disputa ao Palácio do Planalto, é incoerente fazer tal condenação. Os dois são exemplos do “jeitinho brasileiro” na pior acepção do termo.
Fidelix, dono do partido de Mourão e candidato a deputado federal, viu na aliança com o capitão da extrema-direita a oportunidade de finalmente se eleger, após colecionar disputas para vereador, deputado, prefeito, governador e presidente, todas com votações irrisórias.
Os 23 anos de Fidelix na presidência do partido, com o consequente acesso ao fundo partidário, e a coleção de candidaturas movidas sabe-se lá por quais interesses o habilitam a vestir o chapéu de malandro.
Mas o baixinho bigodudo é aspirante perto do cabeça da chapa.
Com 27 anos de atividade parlamentar na Câmara dos Deputados, Bolsonaro é o protótipo da velhacaria política. Além de enriquecer com o cargo, a ponto do patrimônio registrar um aumento de 97% entre os anos de 2010 e 2014, acomodou três filhos na carreira política.
Embora tivesse apartamento em Brasília, nunca abriu mão de receber o auxílio-moradia. Quando questionado sobre o uso do benefício, respondeu que usava o dinheiro para “comer gente”. Disse isso com a mesma naturalidade com que admitiu sonegar impostos, em uma entrevista no ano de 1999.
Quanto à atividade como deputado, é tão inexpressiva quanto as suas declarações são absurdas. A produção legislativa é raquítica. Em quase duas décadas, só conseguiu aprovar dois projetos de lei e uma emenda parlamentar.
Por mais que Bolsonaro negue, esse histórico indica que seu único compromisso é com o próprio projeto de poder. Condutas assim podem receber vários nomes, inclusive o de malandragem.
Justamente a característica que seu candidato a vice insinua condenar ao mesmo tempo em que anda abraçado a ela.
DCM

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