Como se disse aqui, ontem, logo após a divulgação do vídeo de Jair Bolsonaro denunciando uma mirabolante “fraude” que teria sido perpetrada por Lula e pelos que o impugnaram como candidato – incrível, um candidato com 40% dos votos combinando ir preso para ganhar com fraude! – e conclamando os militares para não aceitarem o resultado das urnas, é um ato de desespero que traz tantos sinais quanto perigos.
É evidente que a intenções do ex-capitão eram (e são) :
a) antecipar a polarização entre ele e Lula/Fernando Haddad e tentar anular a estratégia do candidato petista de ignorá-lo e se fixar na absorção dos votos de Lula;
b) cristalizar sua posição de candidato da direita, fechando a porta para crescimentos de Geraldo Alckmin e a turma nanica (Álvaro Dias, João Amoedo) sobre seus votos em potencial e
c) anular, radicalizando ainda mais seus apoiadores, seu obrigatório sumiço da propaganda eleitoral e dos debates presidenciais que tendem a chamar mais a atenção à medida em que as eleições se aproximam.
Como toda manobra, seja política ou militar, tem seus efeitos colaterais. Neste caso, os de ter criado um espaço de crescimento no “outro anti” da política brasileira hoje, tão ou mais forte que o antipetismo: o antibolsonarismo.
Dificilmente, com três ou mais pontos a menos que Haddad nas próximas pesquisas será possível sustentar o discurso de que “só Ciro será capaz de derrotar Bolsonaro”, independente de quanto se creia nisso. Porque o crescimento do petista na seara do voto lulista é forte, é rápido e tem espaço para gerar, em poucos dias, preferências suficientes para isolá-lo na 2ª posição e até encostar em Bolsonaro.
Isso não depende de Ciro para acontecer.
É tolice imaginar que possa haver lógica em estimar que pesquisas “de 2° turno”, agora, com a indefinição da rodada inicial, possam ter grande validade.
TIJOLAÇO

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