O que já era nítido em todas as edições da GloboNews e sua “equipe de analistas políticos”, ganhou agora o reforço providencial da mídia impressa estampada já na capa de um de seus títulos moribundos: a Época.
Passadas pouquíssimas horas após Ciro Gomes ter reafirmado no debate da TV Aparecida o seu compromisso irrevogável de não mexer na indecência do oligopólio da comunicação brasileira, lá estava ele sorridente a ocupar a matéria de capa.
Não sei se Diego Escosteguy, aquele sujeito que até pouco tempo atrás era editor-chefe da revista e que antecipou alegremente via redes sociais a condução coercitiva do ex-presidente Lula, faria um trabalho com tamanha sabujice.
Seja como for, o fato é que já nem disfarçam mais. Ciro é o candidato da família Marinho.
A coluna de Merval Pereira no site do Globo passa a régua.
Sob o sugestivo título “De volta ao jogo”, Merval explica como Ciro após “ter flertado com a esquerda nos últimos anos”, busca um caminho de “volta às suas origens”.
Didático, não?
É evidente que o projeto de poder da Globo encontra em Geraldo Alckmin a sua maior expressão. No entanto, tendo em vista o seu estrondoso fracasso, é em Ciro Gomes que a Globo agora aposta todas as suas fichas.
Afinal, um candidato que lhes garante sua concessão pública Ad Infinitum é sempre melhor do que um candidato que promete mexer em seus privilégios, não é mesmo?
Do outro lado da mesa, vendo sua eleição escorrer pelos dedos, não resta outra coisa para o pedetista senão baixar a cabeça e estender os abraços a quem de forma oportunista lhe acolhe.
Ciro já percebeu que não tem poder de tirar os votos de Haddad. Da mesma forma, sabe que se nada mudar, o que agora é estagnação, muito em breve é queda.
Castigado pela triste realidade dos fatos, percebe que se realmente quiser ter alguma chance para seguir no segundo turno, terá que rezar certas cartilhas.
Instado a decidir entre o terceiro fracasso e uma mera possibilidade de sucesso a reboque de sua submissão à Rede Globo, sua resposta foi dada sob a forma de um sorriso amarelado na capa da revista Época.
Carregado pela Globo, Ciro Gomes nunca se apresentou tanto como uma péssima opção.
Por Carlos Fernandes

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