
Por Nina Santos
A oficialização da candidatura de Fernando Haddad na corrida presidencial brasileira foi destaque da imprensa francesa nesta quarta-feira (12). Diversas publicações repercutiram o anúncio feito na terça-feira (11), em Curitiba, pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Para o Le Monde, Haddad tem a "missão delicada de recuperar o capital político de Lula para levar o PT à vitória em outubro". O jornal classifica a tarefa como "um desafio" e retrata o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo como alguém "leal mas ambicioso". A publicação ressalta que ele teve que enfrentar resistências dentro do próprio partido para conseguir consolidar sua candidatura e prevê que ele deve crescer nas pesquisas com os programas de televisão e o apoio de Lula. O texto indica, no entanto, que ele deve enfrentar dificuldades já que não tem "nem a voz rouca de seu mentor, nem sua oratória". O Le Monde lembra ainda que Haddad teve dificuldades em lidar com protestos contra o aumento da passagem de transporte público durante seu mandato como prefeito de São Paulo, dizendo que ele não soube "nem antecipar nem gerir as manifestações populares de 2013".
Já o jornal Le Figaro indica que Haddad tem crescido nas pesquisas, passando de 4% a 9% na última sondagem do Datafolha, mas ressalta que a extrema direita continua a liderar as intenções de voto.
Novas estratégias do PT
A publicação 20 minutes mancheta "Game Over para Lula, Haddad é indicado candidato em seu lugar". O texto ressalta que se Lula concorresse, estaria praticamente eleito e destaca a estratégia da campanha de usar o slogan "Haddad é Lula". A publicação informa ainda que os advogados do ex-presidente tentaram por diversas vias fazer as autoridades nacionais cumprirem a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU que reafirmou o direito de Lula a ser candidato.
Para o Libération, "Lula jogou a toalha". O jornal destaca diversos trechos da Carta ao Povo Brasileiro divulgada pelo ex-presidente e fala do ato realizado em frente à carceragem onde Lula está preso. Libération destaca ainda a presença de duas mulheres-chave na campanha do novo candidato do PT: sua esposa Ana Estela Haddad, que segundo o texto estava muito emocionada na ocasião, e sua vice, Manuela d'Ávila, do Partido Comunista do Brasil do Rio de Janeiro. Já o site Les Echos diz que Haddad, o afilhado de Lula, quer ser uma barreira para a extrema direita no Brasil.
A notícia não foi destaque apenas nos jornais impressos. Rádios e televisões também informaram sobre a saída de Lula da corrida eleitoral. Há um grande interesse em conhecer o perfil de Fernando Haddad e entender quais as suas reais chances de crescer a pouco menos de um mês que resta do primeiro turno das eleições.
RFI
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