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| Foto: Ricardo Stuckert |
Maister F. da Silva (*)
Começo com uma citação de Bertolt Brecht…
“Há homens que lutam a vida toda…esses são os imprescindíveis.”
Por mais de um ano resisti e critiquei a ideia de colocar Lula no mesmo patamar de Mandela. O imenso carinho e respeito que aprendi a nutrir por ambos, julgava eu, me credenciava a fazer a análise que eu bem entendesse e colocá-los no ranking que bem entendesse do panteão de lideranças mundiais mais importantes.
Ocorre que a dialética está aí, tão dinâmica quanto as voltas que a vida dá e a história se encarrega da verdade, sempre se encarrega de trazê-la à tona,as vezes não na velocidade que urge, precisa de um socorro pra desnudar certas artimanhas do presente. Afinal a história é amante do passado e gosta de flertar com o futuro, mas não tem apreço pelo presente.
A decisão do TSE de proibir a frase “Eu sou Lula” na propaganda eleitoral, é uma passagem deste capítulo do presente que aproxima os dois personagens, Lula e Mandela. Cito aqui um trecho do livro “Cartas da Prisão”, de Nelson Mandela, que traz a evidência mais clara:
“Durante o meu período preso, quando eu ameaçava ir ao tribunal, eles recusavam. Não se importavam se eu instruísse um advogado, não se importavam se eu conseguisse um advogado para defender minha causa, mas quando eu dizia que não queria advogado, que queria comparecer pessoalmente ao tribunal, eles não gostavam da ideia e recuavam… Era porque tinham medo da publicidade? Sim. Eles queriam que as pessoas se esquecessem de mim tanto quanto possível”.
Guardadas as proporções e a rudeza do cárcere, a estratégia é a mesma. Lula pode ter a melhor equipe do país, conversar com seus correligionários, a família, pode mandar quantas cartas quiser ao povo, desde que não seja “Lula”. Nenhuma imagem sua, proibido mencionar seu nome.
Com efeito, lhes afirmo, se você tinha dúvidas quanto ao processo de fascistização da estrutura judiciária do país, não tenha mais. Ela caminha a passos largos, o ovo chocou.
A decisão do TSE, a atuação do sistema judiciário, nos remonta a uma luta tal qual à travada na África durante vinte e sete anos, manter Lula vivo e como fonte de esperança do povo por um país melhor sem ódio e sem vingança.
Aliás, o sonho de um país moderado, onde todos possam conviver em paz, – negros e brancos, ricos e pobres – embalou os sonhos e orientou os passos de Mandela, assim como de Lula. Nenhum semeou ódio, tampouco vingança. A grandeza dessa tarefa é reservada a alguns poucos, imprescindíveis, muitos pagaram com a vida por esse ideal, vide Martin Luther King.
Termino com outra citação de Bertold Brecht.
“Mas quem é o partido?
…
Ele veste sua roupa, camarada, e pensa com a sua cabeça
Onde moro é a casa dele, e quando você é atacado ele luta.”
Lula Livre!
Em cada pedra do país, cada muro, cada placa, nos postes, cada lugar de fala…
(*) Militante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
Sul 21

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