O jornalista Reinaldo Azevedo afirma que o grande problema destas eleições e da democracia brasileira neste momento é a não aceitação do resultado das eleições; segundo Azevedo, o PT sempre ocupou o espaço natural da oposição e, por isso, aceita sem maiores dramas os resultados; já o PSL, partido nanico do candidato que lidera as intenções de voto, é uma caixa-preta e o horizonte pós derrota poderia ser mais 4 anos de truncamento político; ele não pergunta no artigo, mas fica claro: o "risco Aécio" está colocado para a democracia

247 - O jornalista Reinaldo Azevedo afirma que o grande problema destas eleições e da democracia brasileira neste momento é a não aceitação do resultado das eleições. Segundo Azevedo, o PT sempre ocupou o espaço natural da oposição e, por isso, aceita sem maiores dramas os resultados. Já o PSL, partido nanico do candidato que lidera as intenções de voto, é uma caixa-preta e o horizonte pós derrota poderia ser mais 4 anos de truncamento político.
Em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo, o jornalista destaca: "se Jair Bolsonaro (PSL) ou Geraldo Alckmin (PSDB) vencer a disputa, sei quem vai liderar a oposição: o PT. E já é um lugar de poder. Essa batalha, o partido já ganhou. Agora há a outra. Se o vitorioso for o petista Fernando Haddad ou Ciro Gomes (PDT), quem comandará o campo adversário? A pergunta e a resposta expõem a miséria a que chegou a política brasileira".
E prossegue: "segundo dados da mais recente pesquisa Datafolha, Bolsonaro lidera a corrida no primeiro turno, com 28%. Empatados tecnicamente em segundo lugar estão Haddad, com 16%, e Ciro, com 13%. Alckmin segue com 9%. A disputa de 2014 recomenda cuidado com antevisões a duas semanas da disputa. Mas é razoável supor ao menos que o 'capitão reformado' tem grande chance de estar na etapa final. E essa possibilidade basta para a fantasmagoria de que se vai tratar aqui".
Qual é ela, segundo Azevedo? A interrogação sobre a oposição ao governo Haddad:
"Bolsonaro não terá, se derrotado, condições políticas, intelectuais e partidárias de comandar a oposição. Ele o faria ancorado em quais pressupostos?
Para a segurança, um 38 na mão de cada brasileiro? Para a educação, uma escola em que moleque não seja estimulado a brincar de boneca? Para a economia... Bem, para a economia, não existirá, creio, nem mesmo o Guedes.
Quantos parlamentares o acompanharão na resistência democrática a um eventual governo de esquerda? A tarefa caberá, mais uma vez, ao PSDB — que, nessa hipótese, não terá nem tamanho nem força para um trabalho eficiente."
Ao final de sua reflexão, Azevedo afirma: "nas democracias, quem perde vigia o poder. Vivemos um tempo em que, a depender do resultado, ao grande derrotado restará a irrelevância ou a arruaça. Como foi que chegamos a esse ponto?"
A pergunta que Azevedo não faz e interroga o Brasil é: a direita aceitará o resultado da eleição se for derrotada ou irá pelo mesmo caminho de Aécio Neves para a aventura de um novo golpe?
Brasil 247
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