A ação automatizada de grupos de WhatsApp ligadas à campanha de Jair Bolsonaro foi apontada por pesquisa do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS), centro de pesquisa independente que reúne professores de diversas universidades brasileiras e do laboratório de mídia do MIT (Massachussets Institute of Tecnology), nos EUA.
O estudo monitorou 110 grupos políticos abertos do aplicativo na última semana e verificou que eles apresentam alto grau de interconexão e número elevado de administradores e membros comuns, muitos com atividade dezenas de vezes acima da média dos demais usuários.
O jornal Folha de S. Paulo desta sexta-feira (26/10) publica reportagem sobre o estudo e explica que os achados são peças de um quebra-cabeças que aponta para empresas comprando pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp, conforme já foi denunciado na última semana.
Os contratos para o disparo de mensagens chegariam a R$ 12 milhões, atingindo dezenas de milhares de brasileiros com conteúdo político contrário ao candidato Fernando Haddad (PT).
Prática ilegal
Isso é uma prática ilegal por se tratar de doação não declarada para a campanha do candidato Jair Bolsonaro, configurando crime eleitoral.
No estudo do ITS, uma amostra de grupos abertos de WhatsApp disponíveis em repositórios na internet foi usada para o monitoramento.
A reportagem da Folha de S. Paulo ouviu Caio Machado, um dos autores do estudo, mestrando em ciências sociais da internet pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, que explicou que: “os repositórios estão dominados pelos grupos de apoiadores de Bolsonaro. Existem alguns poucos grupos a favor de outros candidatos, mas muitas vezes os links de acesso foram revogados”.
“Ao buscarmos o que está na web, reproduzimos na nossa amostragem a provável proporção de grupos presentes ali”, diz, para justificar a quase onipresença de grupos pró-Bolsonaro na pesquisa.
Uso de robôs
Ainda segundo o pesquisador, o principal achado foi a potencial automação de envio de mensagens. Enquanto alguns usuários fizeram 360 postagens no período estudado, a média dos demais era de dez mensagens. O intervalo entre envios de mensagens de uma mesma série eram mínimos: entre 1 e 20 segundos. Segundo o relatório, boa parte desses perfis não trazia nome próprio nem foto pessoal.
“São indícios muito fortes de automação. Pode ser o que chamamos de bots, ou robôs, que disparam mensagens, ou pode ser um usuário que utiliza algum nível de automação para difundir conteúdo, o que chamamos de ciborgue”, afirma Caio.
Disseminação de fake news
A reportagem aponta, ainda, que há evidências de algo arquitetado, criando uma malha e uma estrutura de coordenação entre os grupos de modo a orquestrar a disseminação de informações através dos grupos de forma rápida e com o uso de alguma automação, sejam bot, sejam ciborgues.
Esta é a primeira campanha eleitoral após resolução do TSE que autorizou o uso impulsionamento digital, mas vetou o uso de bots.
Nesta semana, comentários pró-Bolsonaro em posts feitos no Twitter pela Folha que continham palavras como “bolso” e “bolovo“ levantaram suspeitas do uso de robôs pela campanha de Jair Bolsonaro.
Em um dos posts, que tratava da competição entre joalherias e galerias de arte pelo bolo dos super-ricos, usuária sob suspeita de automação comentou: “Cadê as provas, Folha? Não tem, né? Pq não existem. Vcs estão com medo de perder os milhões que o governo PT banca vcs, né?”
(com informações da Folha de S. Paulo)
Lula

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