De democrata a falastrão, as máximas ciristas se perderam na retórica da democracia contra a barbárie. Antes das eleições, era comum encontrar metalúrgicos de Volta Redonda-RJ, onde fica a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que pertence a um dos maiores gafanhotos da indústria mundial, Benjamin Steinbruch, criticando fortemente a ideia de que Ciro Gomes é de esquerda. Para tal, a justificativa era de que Ciro foi executivo forte de Steinbruch que não se manifestou pela dispensa de mais de 700 funcionários da CSN durante o golpe de 2016.

Para piorar, o pedetista iniciou seu caminho político no Arena, partido da ditadura militar, passando por um sem número de partidos, incluindo o PMDB, PSDB e outros, até chegar à esquerda do PDT. Na mesma lógica, Ciro levantou a bandeira do Lula mas, contra o PT. Perdido, correu para o Centrão e tomou uma rasteira feia de Rodrigo Maia, Aécio Neves e Geraldo Alckmin. Quando se viu sem coligação, correu pro lado da esquerda novamente, tentando o PCdoB e o PSB, mas, não percebeu que foi sua corrida para o Centrão que inviabilizou a aproximação com a esquerda. Na última tática, resolveu espernear dizendo que o Lula, mesmo preso, passou a perna no “coitadinho”.

O segundo turno, marcado pela divisão entre a democracia e a barbárie, expôs as frentes mais preocupadas com o destino coletivo e os que não foram capazes de abrir mão de suas pretensões egoístas e pessoais. Até defuntos saíram da cova tucana para declarar voto em Haddad. Pessoas tradicionalmente antipetistas também o fizeram. Mas, quando se aguardava uma postura aguerrida em defesa da democracia, com direito a púlpito no aeroporto, de quem se aguardava ansiosamente um discurso do retorno ao Brasil, simplesmente ignorou, passou direto e afirmou neutralidade.

Como o muro que divide o céu também pertence ao inferno, Ciro Gomes decretou sua forte derrota política, ao negar-se a estar do lado dos democratas, com isso, perdeu a simpatia da esquerda e de muitos ciristas. Ao ficar no muro, não percebeu que o centro político esvaiu como no congresso e o resultado prático de sua aposta em 2022, foi um tiro que saiu pela culatra. Haddad saiu muito maior que antes, Marina Silva também, até Guilherme Boulos saiu como um dos grande, já Ciro, decretou seu teto, 12%, como em 2002, sendo o maior derrotado político do pleito deste ano.



A Postagem

Comentário(s)

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads