
Há muitas semelhanças entre os períodos históricos do Brasil e das Filipinas, quando o assunto é o discurso de degradação moral, violência e drogas. Ambos os países acabaram por construir um forte de discurso de repressão ódio e mais violência contra a violência. Sobprodutos da guerra contra as drogas, Filipinas ensina ao Brasil que uma crise pode gerar um Hitler autodeclarado, fato que também se encaminha por aqui.
Por lá, Sara Duterte, que já se comparou a Hitler, iniciou seu segundo mandato presidencial em 2016, sendo que sua ascensão ao poder foi marcada pelo assassinato de 3.600 pessoas, cuja polícia alegou serem todos ligados ao tráfico. O fato gerou forte crítica da ONU e acusações de extermínio, execução em massa e demais crimes contra a humanidade. Assim como Bolsonaro, sua principal plataforma foi a intolerância, o uso ostensivo de armas, a apologia à perseguição política disfarçada e outras atrocidades.
Hoje, o país asiático, que é um preposto americano, encontra-se em forte crise econômica, com a maior inflação local dos últimos anos gerada, principalmente por elevação dos preços dos alimentos e a bolsa de valores, antes eufórica com a sua ascensão, hoje opera em quedas históricas. Sua política de estado mínimo foi baseada, assim como o defendido por Paulo Guedes, o coordenador de economia da campanha de Bolsonaro, na privatização total. Hoje, serviços básicos do estado filipino se encontram privatizados, incluindo a educação, saúde, energia demais setores estratégicos.
Do ponto de vista humanitário, a política do “bandido bom, é bandido morto” aplicada pelo estado deixa milhares de assassinados chamados de “efeito colateral”, como bem destaca a matéria do El-País.
A perseguição política se dá com apoio direto do judiciário com acusação e prisões de opositores sob acusações de tráfico de drogas. Para tanto, diversos congressistas já foram presos e condenados. Suas declarações machistas, homofóbicas e discriminatórias se avolumam no âmbito internacional, incluindo um beijo a força a uma mulher casada em público e outros casos de pura estupidez autoritária.
Seu forte viés religioso, em um país em que mais de 80% são católicos iniciou uma espécie de ditadura da maioria e internacionalmente, o país entrou em processo de isolamento comercial mas, não de boicote.
O provável futuro do Brasil pode estar tristemente nas Filipinas de hoje. Bolsonaro e Duterte são similares na retórica autoritária e violenta. Às sombras de um tempo obscuro, o Brasil parece entorpecido por um ódio muito difícil de dissolver e assim como lá, no país asiático, o povo aplaude as atrocidades de presidente estúpido, intolerante e destrutivo.
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