Finalizadas as eleições nesse último domingo, temos que ter a clareza de que elas tiveram um vencedor. Esse vencedor não foi Jair Bolsonaro, o candidato fascista, agora presidente ilegítimo, como produto de uma gigantesca fraude eleitoral contra a esmagadora maioria do povo brasileiro, os que ganharam as eleições foram os artífices do golpe de Estado no Brasil – o imperialismo e o grande capital nacional a ele associado, foram os banqueiros, a imprensa venal, as Forças Armadas que deram um importante passo no sentido de legitimar o golpe sob a aparência da vitória nas urnas.

Diante dessa constatação a questão chave que se coloca é sobre qual será a atitude do PT. O Partido se adaptará as posições de sua ala direita que prega “virar a página do golpe”, promover uma oposição de tipo parlamentar ao governo ilegítimo de Bolsonaro ou impulsionará a luta contra o golpe, que teve sua expressão maior no último período com o lançamento da candidatura Lula e a palavra de ordem “Eleição sem Lula é fraude”?

Nesse sentido, foram muito importantes a nota oficial da CUT e a entrevista do coordenador do MST João Pedro Stedile, ambas defendendo à necessidade de “mobilizar nas ruas”. Essa é a posição do PCO. Nenhuma trégua ao governo ilegítimo dos golpistas. Tem que ampliar massivamente o movimento por Fora Bolsonaro e todos os golpistas, tem que ir às fábricas, às universidades, aos acampamentos sem-terra, construir um gigantesco movimento de luta contra o golpe e a extrema-direita baseado nas massas trabalhadoras, que são as únicas capazes de derrotar a direita.

As experiências desde o impeachment da presidenta Dilma até às eleições deixaram mais do que patente à inviabilidade de pressionar ou acreditar que as instituições apodrecidas do regime político, como os tribunais, Congresso Nacional, seriam capazes de reverter o golpe no qual essas mesmas instituições cumpriram papéis fundamentais no sentido da sua viabilização.

A esquerda não tem o direito de ficar errando indefinidamente, porque a sua derrota não é só a sua derrota, mas é a derrota dos trabalhadores. No entender do PCO, o fato da direção do PT ter recuado com a candidatura de Lula se sujeitando às imposições do TSE foi muito negativo para a luta contra o golpe e pela liberdade de Lula. A palavra golpe sumiu da campanha eleitoral do candidato substituto de Lula, Fernando Haddad. Não apenas isso, o próprio Lula sumiu no segundo turno, as declarações de elogio a figuras e instituições da linha de frente do golpe passou a ser recorrente, como Sérgio Moro, Fernando Henrique Cardoso, Joaquim Barbosa, TSE, Lava-Jato, STF, entre outras.

Virou um mito na esquerda a valorização do fascismo no Brasil, mas o que deve ser entendido é que o perigo fascista será derrotado se o golpe de Estado for derrotado e o golpe tem a sua cartilha. Na próxima etapa buscará promover um amplo ataque às condições de vida das massas com a “reforma” da previdência, privatizações, destruição da economia nacional em proveito do imperialismo, etc. Para conseguir se impor necessariamente acentuará o estado de exceção vigente no país, com a criminalização dos movimentos sociais, a perseguição aos sindicatos, a aprovação de leis que acabará com qualquer resquício de estado democrático de direito.

É diante dessa realidade que os partidos de esquerda que se reivindicam da luta contra o golpe, a CUT, o MST, os movimentos progressistas e democráticos devem se organizar e formar uma frente única para lutar contra o golpe e suas medidas. Para ser efetivo, essa luta só pode se materializar nas ruas, com a ampliação de comitês de luta contra o golpe, com a mobilização em torno da luta pela liberdade de Lula e de todos os presos políticos.

Para um movimento de luta ser verdadeiramente consequente deve se desfazer de qualquer aliança com a burguesia e a direita representados pelos “democratas” golpistas, pelo PSDB, Pelo PDT, pelo PSB e pela ala direita do PT. Tem que ser um amplo movimento legitimamente popular, que se radicalize em meio à polarização e ao desprezo do povo por Bolsonaro.

Causa Operária

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