
Mesmo não sendo candidatos, dois magistrais e emblemáticos personagens marcarão, do ponto de vista histórico, as eleições deste ano.
O primeiro é um Ministro da Suprema Corte que afirma que a justiça tem que interpretar - como se devêssemos passar a publicar constituições sazonais - o que ele divinamente considera serem os “anseios” - de momento - da sociedade.
E, que sob a alegação de que qualquer manifestação ou declaração oriunda dele poderia influenciar o resultado do pleito, proibiu, como se estivéssemos sob regime de exceção, a realização de entrevistas com um ex-presidente da República.
O segundo é um certo juiz de primeira instância que faz o que quer nesta República, ao arrepio da Lei e de uma Suprema Corte com raras exceções covarde e pusilânime, que fez exatamente o contrário.
Liberando trechos de uma pestilenta delação de conveniência, absolutamente fantasiosa e sem nenhuma prova concreta que a sustente, que estava guardada há meses em uma das muitas gavetas da verdadeira morgue em que se transformou a justiça brasileira - sempre disposta a experimentações dignas de um Dr. Frankenstein jurídico - a cinco dias da votação em primeiro turno para a escolha do Presidente da República, exatamente para influenciar, descaradamente, as mesmas eleições.
Como aliás tem sido feito, na undécima hora, sempre contra o PT, nos últimos anos, da produção de bombásticas capas de revista com farta utilização de photoshops mefistofélicos a outros recursos moralmente tão baixos, rastejantes, quanto o ventre de lesmas no concreto ou o umbigo de certos lagartos reptilianos.
Ora, quem pode mais - vide o processo espúrio de condenação de Lula em primeira e segunda instâncias e o seu impedimento de concorrer à Presidência da República, que com certeza mudaram o rumo das eleições deste ano - pode o que alguns poderão considerar menos, como cassar a palavra de alguém que foi condenado sem provas (mas não ao silêncio) e levantar “parcialmente” o sigilo de declarações de um acusado que - o mundo inteiro sabe - está pronto para fazer o que quer certa “justiça” e acusar também sem provas esse mesmo ex-presidente que já está preso e outras lideranças políticas, para tirar o seu da reta da seringa.
Com ou sem topete, a conclusão é que essas duas caras da justiça são só uma.
A mesma abominável face da parcialidade, de um partidarismo justiçalista - de justiçamento mesmo - seletivo, metediço e indecente.
Que distorce e retorce a lei como chiclete usado na boca de cachorro velho.
Sonegando ou oferecendo, a seu bel prazer, “informações”, da forma que lhe for mais conveniente, com o claro objetivo de manipular a opinião pública e interferir com os acontecimentos políticos, sem nenhuma coerência ou respeito pela legislação e a constituição - teoricamente - vigentes.
É essa justiça, moral e paradoxalmente cega pela animosidade e a hipocrisia - que sabe muito bem o que está fazendo - que está conduzindo pelo braço uma nação igualmente cega pelo ódio, o preconceito e a ignorância para o sombrio imponderável que se aproxima.
Para o escuro, profundo e inconsequente abismo fascista que se abre à nossa frente.
Mauro Santayana
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