Ana Prestes revela que o professor de Relações Internacionais da FGV, Oliver Stuenkel, ao ser questionado sobre a futura relação do Brasil com a China, afirmou: “Bolsonaro tem defendido que “a China não compra no Brasil, ela compra ‘o Brasil’”


Por Ana Prestes

– O economista Paulo Guedes, possível ministro da Fazenda de Jair Bolsonaro, disse em entrevista que o Mercosul não será prioridade para o próximo governo. Textualmente: o Brasil “ficou prisioneiro de alianças ideológicas (…) Você só negocia com quem tiver inclinações bolivarianas. O Mercosul foi feito totalmente ideológico. É uma prisão cognitiva”. Ao final da entrevista ele se exaltou com a jornalista argentina que fazia a pergunta e disse: “É isso que você queria ouvir? Mercosul não será prioridade. A gente não está preocupado em te agradar. Eu conheço esse estilo”. (*o bloco foi criado em 1991, em plena onda neoliberal).

– JB e Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, falaram por telefone, segundo a porta voz do Dept. de Estado, Heather Nauert. “Conversaram sobre as prioridades nos temas de política exterior, incluindo a Venezuela, o combate ao crime transnacional e a maneira de fortalecer os laços econômicos entre Brasil e EUA, as duas maiores economias da região”, está no comunicado de Nauert.

– Tabaré Vazquez, presidente uruguaio, foi um dos que mais demorou (12 horas) a cumprimentar JB entre os sulamericanos do cone sul. Ele disse ontem (29): “Entendemos, para atuar com seriedade e responsabilidade, que correspondia para um país como o Uruguai, um país sério – que em lugar de fazer uma declaração por Twitter – tem um presidente da República que ante todos os meios de imprensa do Uruguai, no dia de hoje, expressa seriamente a posição do Uruguai a respeito” e agregou dizendo que faria uma ligação a JB para cumprimenta-lo. Foi a primeira comunicação entre os dois, diferente da relação próxima que JB estabeleceu com o Macri (Argentina), Mario Abdo (Paraguai) e Piñera (Chile) ainda no período da campanha.

– Professor de Relações Internacionais da FGV, Oliver Stuenkel, ao ser questionado sobre relação do Brasil com a China em um governo JB, afirmou: “Pequim vê a ascensão de Bolsonaro com muita preocupação. Ninguém em sua equipe tem consciência do custo político que poderia ter uma visita sua a Taiwan em março” e acrescentou que JB tem defendido que “a China não compra no Brasil, ela compra ‘o Brasil’”.

– As empresas fabricantes de armas de fogo estão otimistas com respeito aos futuros negócios no Brasil. Duas empresas internacionais, a Caracal, estatal dos Emirados Árabes Unidos, e a CZ da República Tcheca já anunciaram que pretendem se instalar no país. Uma delas provavelmente se instalará em Goiás.

– O governo dos EUA determinou ao Exército que enviasse a partir dessa segunda (29) mais de 5 mil militares para a fronteira com o México, no intuito de deter a caravana de imigrantes da América Central, que nesse momento se encontra no México. A prioridade do reforço militar será nas fronteiras do Texas, Arizona e Califórnia. Por sua conta do Twitter, Trump disse: “por favor, retornem, não serão admitidos nos EUA a menos que passem pelo processo legal. Isso é uma invasão ao novo país e nossos militares estão esperando!”.

– O contingente de militares posicionados na fronteira sul dos EUA nesse momento é superior ao número de militares americanos hoje presentes na Síria e no Iraque e metade dos presentes no Afeganistão, segundo fonte do Wall Street Journal.

– Além da caravana de 7000 hondurenhos que já se aproximam da fronteira norte-americana e uma outra que está na Guatemala, há uma terceira caravana da América Central rumo aos EUA que saiu neste domingo (28) de El Salvador. São cerca de 300 pessoas. A situação na fronteira da Guatemala com o México está bastante tensa neste momento de avanço da 2ª caravana, com mortos e feridos, segundo a imprensa local.

– Cerca de 500 organizações da sociedade civil, internacionais e locais, entregaram um documento ao governo do México, dizendo que este está obrigado a oferecer proteção a pessoas deslocadas e desabrigadas centro-americanas, por não se tratar tão somente de uma caravana de imigrantes, mas de um “desplazamiento forzado” (êxodo ou deslocamento forçado). O documento possui 12 pontos.


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