Professor Luis Felipe Miguel. Foto: Reprodução/YouTube


PUBLICADO ORIGINALMENTE NO FACEBOOK DO AUTOR.

Aquilo que o Mendonça Filho tentou fazer com a censura à minha disciplina – e que não conseguiu, graças à reação corajosa de tantos colegas – está sendo feito agora, por decisão dos “juízes eleitorais”, com o apoio animado das polícias. Trata-se de impedir que a universidade funcione como espaço de reflexão, de debate, de crítica, de politização.

A justiça eleitoral que é inerte diante do caixa dois, da campanha deliberada de desinformação, da transformação de batalhões policiais em comitês eleitorais, da perseguição política escancarada a trabalhadores em empresas, essa mesma justiça eleitoral está preocupadíssima com a ocorrência de debates sobre o fascismo.

É claro que esses debates incidem sobre a campanha eleitoral em curso. Mas esse é o papel da universidade: incidir sobre o mundo ao incitar a reflexão sobre ele. Nossa contribuição específica à sociedade sempre foi essa: não a propaganda, mas o debate. Caso não debatêssemos, não estaríamos sendo neutros, mas sim cúmplices.

O debate só pode ser visto como ameaça pelo lado que não tem ideias para expor.

Já as notas de reitorias ou de conselhos, contra o candidato fascista ou mesmo apontando claramente apoio ao candidato democrático, que também têm gerado represálias, são manifestações legítimas de instituições que hoje se veem sob risco. Por que a universidade deveria permanecer passiva quando é ameaçada pelo corte de verbas, pela privatização, pela censura e pela violência física? As notas são uma manifestação pública de repúdio a essas ameaças e, convém lembrar, não cerceiam a liberdade das minorias nos campi, nem representam qualquer gasto de dinheiro público em campanha eleitoral.

A universidade não pode se calar. É hora de reafirmar com todas as forças nosso compromisso com o pensamento livre, com a reflexão crítica, com o debate franco, com a democracia.




DCM

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