Aprende-se nas aulas de física que ondas são energia e não matéria em movimento. É famosa a imagem do barquinho que balança à sua passagem mas não sai do lugar.
Vivemos a onda da antipolítica, que carrega energias negativas: crise econômica, crise política, a união esdrúxula entre a mídia reacionária e de uma classe média que achou que a afluência de anos atrás devia-se a ela própria mas que, no refluxo, culpa a “roubalheira” estatal, que pode ser inadmissível, mas representa apenas farelos numa economia como a brasileira.
De fato: ainda que sejam bilhões, não retiram da economia nem uma quinzena do que os cinco maiores bancos sacam da sociedade na sua conta (isenta de impostos) de lucros líquidos.
Claro que os tolos vão dizer que estou defendendo a corrupção, em lugar de ver o óbvio, o que se mostra é o rasgo por onde corre, aos borbotões, a sangria de nossas riquezas, mas pouco importa e volto à questão da energia que se levantou nessa onda conservadora.
Terá ela condições que agir com tanta intensidade no segundo turno?
Na única situação que vivemos que guarda semelhança, Collor só o conseguiu porque Lula não tinha a reserva de povão que hoje tem e, sobretudo porque foi possível à Globo dar-lhe um golpe pelas costas na edição do debate. E olhem que Collor não tinha a metade da carga autoritária que o ex-capitão carrega.
É cedo para fazer projeções de 2° turno e não acho que pesquisas sobre isso valham muito, agora. Alguns movimentos já se notam e não são só os acenos de Fernando Haddad aos adversários a quem nunca tratou como inimigos.
Já se nota, pela entrevista de ontem na Record, uma inflexão do discurso de Jair Bolsonaro, relegando a segundo plano a linguagem de “xerife” e concentrando-se na questão do antipetismo, que lhe grudou com tanta força que impediu a ascensão de outros candidatos de direita, e estes não faltaram.
Bolsonaro é a encarnação do que foi dito na famosa frase de outro abominável, Roberto Jefferson, sobre despertar “os instintos mais primitivos”
O desafio, no segundo turno, será fazer percebido o que Bolsonaro encarnará: a continuidade do governo Temer, com suas políticas antitrabalhador, antinacionais e recessivas, sustentada por uma coalizão amorfa de políticos fisológicos. Ele agora é e amanhã serpa o candidato das forças que estão e sempre estiveram no poder no Brasil: o dinheiro, a mídia e, desde os últimos anos desabridamente, o sistema policial-judicial.
Cresceu na sua cola e agora será a sua cara.
Igualmente, trabalhar a repugnância que sua expressão fascista, ainda que se amenize seu discurso – duvido que ele volta a fazer gestos de disparos, exibir-se com pistolas e fuzis ou sugerir papéis inferiores para as mulheres. Acumulou tanto “currículo” nesta área e arranjou uma trupe de familiares e de aventureiros que será difícil negar o que disse por tanto tempo.
Até porque, como lembrou o professor Jessé de Souza, autor do best-seller “A elite do atraso”, Hitler acabou fazendo tudo o que disse que iria fazer, como você vê no vídeo abaixo.
TIJOLAÇO

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