Tereza Exner, primeira corregedora mulher do MP-SP Imagem: Divulgação
Camila Brandalise
Da Universa
A procuradora Tereza Cristina Maldonado Katurchi Exner foi eleita, na quarta-feira (7) para o cargo de corregedora do MP-SP (Ministério Público de São Paulo). É a primeira mulher a ocupar a posição, que existe desde 1955, e tem a função de fiscalizar as atividades dos colegas da instituição. Ela também foi a primeira a se tornar vice-corregedora, em 2014.
Formada pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP (Universidade de São Paulo), pianista e fã de música clássica, Exner é especialista na área criminal e tem artigos publicados sobre a legislação envolvendo mulheres, principalmente sobre aborto. Defende com veemência a manutenção da lei atual, que autoriza a interrupção da gravidez em casos de estupro, anencefalia do feto e risco à vida da mulher. “Reverter essa garantia deveria ser considerado crime de tortura”, opina. “Obrigar uma mulher estuprada a manter a gravidez é acabar com a vida dela.”

Ela se debruça sobre essa questão desde 2016, quando um projeto de emenda constitucional sobre licença-maternidade teve seu texto alterado na Câmara dos Deputados por membros da bancada evangélica, que acrescentaram um trecho que dizia que o Estado deve proteger a "dignidade da pessoa humana, desde a concepção”. Outro grupo de deputados enxergou na modificação uma manobra para proibir o direito ao aborto nos casos já legalizados. O projeto continua em tramitação na Câmara.
“Nosso código penal prevê a legalidade em caso de estupro desde 1940. Não é possível que, 78 anos depois, tenhamos um retrocesso desse tamanho.” Sobre o aborto de maneira ampla, diz que “nunca faria”, mas que “jamais se oporia” à legalização. “Essa ideia de que se liberar toda mulher vai fazer é uma agressão tremenda. Abortar é uma decisão das mais difíceis de serem tomadas”, diz ela, que afirma nunca ter passado pelo procedimento.
Formada pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP (Universidade de São Paulo), pianista e fã de música clássica, Exner é especialista na área criminal e tem artigos publicados sobre a legislação envolvendo mulheres, principalmente sobre aborto. Defende com veemência a manutenção da lei atual, que autoriza a interrupção da gravidez em casos de estupro, anencefalia do feto e risco à vida da mulher. “Reverter essa garantia deveria ser considerado crime de tortura”, opina. “Obrigar uma mulher estuprada a manter a gravidez é acabar com a vida dela.”
Ela se debruça sobre essa questão desde 2016, quando um projeto de emenda constitucional sobre licença-maternidade teve seu texto alterado na Câmara dos Deputados por membros da bancada evangélica, que acrescentaram um trecho que dizia que o Estado deve proteger a "dignidade da pessoa humana, desde a concepção”. Outro grupo de deputados enxergou na modificação uma manobra para proibir o direito ao aborto nos casos já legalizados. O projeto continua em tramitação na Câmara.
“Nosso código penal prevê a legalidade em caso de estupro desde 1940. Não é possível que, 78 anos depois, tenhamos um retrocesso desse tamanho.” Sobre o aborto de maneira ampla, diz que “nunca faria”, mas que “jamais se oporia” à legalização. “Essa ideia de que se liberar toda mulher vai fazer é uma agressão tremenda. Abortar é uma decisão das mais difíceis de serem tomadas”, diz ela, que afirma nunca ter passado pelo procedimento.
"Promotora. Sou eu"
A nova corregedora nasceu em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, para estudar em São Paulo. Depois de formada, entrou no Ministério Público em 1987, aos 23 anos, e tornou-se promotora de Justiça. No começo da carreira, um pedido a ela se repetia: “Quero falar com o promotor”. “E eu respondia: ‘Promotora. Sou eu’. Duvidavam de mim por ser mulher e jovem.”
Especialista na área criminal, atuou em vários casos envolvendo violência de gênero. De um em especial, com o qual lidou “há muitos anos”, se lembra até hoje, por causa de uma foto. “Era de uma menina, entre 8 e 10 anos, morta pelo ex-companheiro da mãe, depois de ter sido estuprada por ele”, diz. “Tive a impressão de que ainda havia lágrimas no rosto dela. Foi uma imagem que me impressionou muito e sempre volta à minha memória.”
Mulheres e a lei
Tereza Cristina avalia a Constituição de 1988 como um grande passo a favor dos direitos das mulheres ao assegurar a igualdade entre os gêneros, muito embora a garantia legal nem sempre seja aplicada na prática.
É o que ela aponta, por exemplo, acontecer nos casos de diferença salarial entre homem e mulher. A corregedora sugere que, para resolver a questão, a lei sobre licença-maternidade deva ser revista. “Existe o argumento de que mulher recebe menos porque engravida. Se fosse estabelecido um período de licença dividido igualmente entre o homem e a mulher, essa não seria mais uma questão.”
Ela acredita ainda que homens devem se engajar nas discussões sobre direitos femininos, para que "andemos lado a lado". E diz adorar elogiá-los, principalmente o marido, com quem está casada há quase 30 anos e tem duas filhas, e o pai, que a incentivou desde cedo a estudar. “Ele também me deu muitos bons exemplos”, afirma Exner, “como quando saiu de uma associação comercial da qual fazia parte porque não aceitavam mulheres viúvas, por estarem sozinhas, e fundou outra, para que elas pudessem frequentar. Na minha vida, ele é uma grande referência.”
UOL

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