Publicada em 2013, sua tese sobre como a acumulação de renda é uma ameaça à democracia é referência até hoje

PIKETTY É CONSIDERADO UM DOS GRANDES PENSADORES DA ATUALIDADE (FOTO: FLICKR/CENTRAL EUROPEAN UNIVERSITY)

Já cantava o grupo baiano As Meninas: “analisando essa cadeia hereditária, quero me livrar dessa situação precária onde o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre”. Mas foi o economista francês Thomas Piketty que, de fato, estudou e teorizou a respeito da acumulação de renda e, em 2013, publicou o livro O Capital no Século XXI, considerada uma das maiores obras de economia da atualidade. A conclusão de Piketty é polêmica: segundo ele, nos países desenvolvidos a taxa de acumulação de renda é maior do que as taxas de crescimento econômico, e isso é uma ameaça à democracia.

Nascido em Clichy, na França, em 7 de maio de 1971, Piketty estudou matemática e economia. Aos 22 anos, tornou-se doutor em filosofia, com uma tese sobre redistribuição de renda feita na Escola de Economia de Londres e na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris. Em 2002, ganhou o prêmio de melhor jovem economista da França e, em 2013, o Yrjö Jahnsson, que premia economistas com menos de 45 anos que tenham contribuído significativamente à pesquisa econômica pura e aplicada na Europa. Foi naquele ano que lançou a obra pela qual é conhecido. Entenda seus principais pontos:

A taxa de desigualdade de riqueza está crescendo nos países desenvolvidos

Ele resumiu o pensamento em uma fórmula simples: r > g, onde r é o retorno sobre o capital e g é o crescimento econômico. Em um exemplo prático: se Maria herdou uma fortuna de R$ 10 milhões e aplicou o dinheiro no banco, com um rendimento médio de 5% ao ano, em um ano a renda dela terá crescido desproporcionalmente à economia do país, que geralmente fica muito abaixo de 5%.



Se nada for feito, a tendência é só piorar

O problema de Maria ter um rendimento sobre sua fortuna maior do que o crescimento da economia é que vai chegar um ponto em que ela simplesmente não vai mais precisar trabalhar. E não haverá nada que uma pessoa que não tinha os R$ 10 milhões iniciais poderá fazer para chegar ao mesmo nível que Maria. Ou seja, foi-se o sonho do “self made man”, com base no esforço e trabalho: o futuro vai pertencer a quem já nasceu rico. E o risco vai além, pois na visão de Piketty isso dá espaço para o retorno de oligarquias — o que costuma gerar guerras, como a história na Europa mostrou.

A solução é taxar a riqueza

Para Piketty, o problema só será contornado se houver um esforço global para taxar as grandes fortunas. Impostos progressivos, que onerem os salários de forma proporcional, é a única forma de conter o crescimento das fortunas e diminuir o abismo entre os muito ricos e os muito pobres. Em alguns países desenvolvidos, isso vem sendo adotado, com alíquotas de imposto sobre a renda e o patrimônio que chegam a 50%. No Brasil, a alíquota máxima é de 27,5%.

O CAPITAL, LIVRO PELO QUAL PIKETTY FICOU CONHECIDO (FOTO: DIVULGAÇÃO)



Galileu

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