Visto como autoritário, valendo-se até do Estado de Emergência instalado após atentados para suprimir manifestações contra a reforma trabalhista, Macron é percebido por grande parte da população como um presidente elitista, distante do povo.


RFI

Por Vinicius Sartorato



Eleito com um discurso do novo, do povo sem divisões de classes, do antisistema, como àquele que salvaria o país da barbárie fascista, o presidente francês, Emmanuel Macron, vê-se agora em apuros.

Depois de iniciar seu governo, criticando Donald Trump sobre temas migratórios e ambientais; apresentando-se como líder democrata europeu dos novos tempos. Macron viu sua popularidade declinar vertiginosamente nos últimos meses ao fazer campanha por reformas impopulares tão desejadas pelos “senhores do mercado”.


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Há pouco mais de um ano de sua posse (14/5/2017), com uma desaprovação que cresce a cada dia e já chega a 73% da população, segundo Instituto de pesquisa IFOP (entre 9-17/11/2018), Emmanuel Macron vem sangrando dentro de seu próprio governo.


Apesar de Macron ter recebido 66% dos votos em sua eleição e de seu partido ter conquistado mais de 50% das cadeiras no parlamento, parece que os franceses não se sujeitaram a hegemonia do novo e forte partido do “reizinho Macron”. Suas propostas polêmicas, como a privatização da companhia ferroviária e a reforma trabalhista marcaram seu primeiro ano de mandato com protestos diários, agora o que está em jogo são as reformas tributária e previdenciária.

Visto como autoritário, valendo-se até do Estado de Emergência instalado após atentados para suprimir manifestações contra a reforma trabalhista, Macron é percebido por grande parte da população como um presidente elitista, distante do povo.


Os últimos protestos caminham para o mesmo sentido, neste último sábado (17), os “coletes-amarelos”, indicados como um exemplo de auto-organização, pelo ex-candidato de extrema-esquerda, Jean-Luc Melenchon, mobilizaram mais de 300.000 pessoas em todo país contra o aumento nos preços dos combustíveis e impostos, centenas de pessoas acabaram feridas e houve uma morte. Esses por sua vez, prometem outro dia de mobilização para o dia 24.

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Enfim, diante de tal situação, à sombra do governo de François Hollande – que terminou seu mandato com baixíssima popularidade e com os piores resultados do Partido Socialista desde o fim da II Guerra, soma-se a maior abstenção nas últimas cinco décadas, vista nas eleições parlamentares, com só 48% da população eleitoral participando do processo. Para piorar, apesar da próxima eleição ainda estar distante, o partido de sua rival à extrema-direita, Marine Le Pen, já lidera as intenções de voto. Estaria Macron levando a França ao buraco do extremismo?



Revista Fórum

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