É no mínimo estranho que o desembargador Humberto Martins tenha esperado a véspera do julgamento do ex-juiz Sergio Moro no CNJ para decidir arquivar monocraticamente o caso.
O comportamento de Moro seria julgado pelo caso do habeas corpus expedido pelo desembargador Rogério Favreto em julho passado determinando a imediata soltura do ex-presidente Lula do calabouço de Curitiba, onde se encontra preso sem provas e sem crime até o momento.
Moro atropelou a decisão de magistrado de grau superior ao seu de um caso que já não estava mais em suas mãos e determinou que a ordem de soltura não fosse cumprida.
O pedido de investigação sobre o comportamento do juiz vem daquela época. O desembargador Martin entrou no caso em agosto, passou setembro, outubro, novembro e os primeiros dias de dezembro para que ele, um dia antes do julgamento marcado, decidisse arquivar o processo.
“Não há indícios de que a atuação do investigado Sérgio Moro tenha sido motivada por má-fé e ou vontade de afrontar a decisão proferida pelo desembargador federal Rogério Favreto, estando evidenciado que o seu atuar buscava a melhor condução do feito, segundo o seu entendimento jurídico e percepção de responsabilidade social, como magistrado responsável pela instrução e julgamento da ação penal condenatória e juiz posteriormente apontado como autoridade coatora”, assinalou. [Fonte: CNJ]É sabido que havia enorme preocupação em Brasília com o julgamento, que poderia provocar, no mínimo, um desgaste em Moro, o que acrescentaria mais um problema ao elenco de outros inúmeros (muitos por corrupção e outros por incompetência) que já assolam o futuro governo de Jair Bolsonaro.
Foi aí que o desembargador decidiu sozinho. O caso só vai a plenário, caso haja contestação da decisão.
Blog do Mello

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