Todos viram que a trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China, arranjada na reunião do G-20, não passou da segunda-feira. Na terça, recomeçaram as escaramuças – que valeram uma queda de 3% do índice Dow Jones da bolsa norte-americana e, agora, parece que as coisas vão se tornar mais agudas, com a prisão da dirigente e filha do dono da bilionária Huawei, gigante de sistemas de comunicação que – avalie – passou a Apple e se tornou a segunda maior do mercado, só abaixo da coreana Samsung.
As acusações a Meng Wanzhou, chefe de operações financeiras da Huawei, são, por enquanto vagas: a suposta violação por parte da empresa às medidas norte-americanas de bloqueio comercial ao Irã. Mas é sabido por todos que os EUA usam sua força para bloquear a expansão do grupo – que teria a liderança na tecnologia 5G de transmissão de dados por internet – e conseguiu evitar sua entrada nos sistemas de telecomunicações do Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia.
Mas o que temos a ver com este clima de guerra, que tende a ficar pior, com a China exigindo a libertação da executiva, alegando que há uma violação de direitos humanos com a sua detenção – no Canadá, a pedido dos EUA – sem que haja uma acusação formal contra ela ?
Tudo, porque o virtual Ministro das Relações Exteriores do país, Eduardo Bolsonaro, filho do presidente que se movimenta sem pudores nesta área (com boné de Trump e tudo) diz abertamente – leia a sua entrevista ao Valor Econômico – que o governo de seu pai pretende inverter a posição de China e EUA no comércio exterior brasileiro.
Para dar uma ideia simplificada do que isso significa: nossas comércio com a China, no ano passado, somou US$ 75 bilhões, com saldo de pouco mais de US$ 20 bilhões para o nosso país. Com os Estados Unidos, a corrente de comércio ficou em US$ 50 bilhões, com saldo em favor do Brasil de meros US$ 2 bi, em grande parte pelas exportações de petróleo bruto, que aumentou de preço e já voltou a cair. Aliás, foi um número excecionalmente favorável, pois amargamos com eles sucessivos déficits, que acumularam um saldo negativo de US$ 90 bilhões nos últimos dez anos.
Bolsonarinho acha que os EUA virão socorrer nossas contas se o fluxo de comércio com a China – que de boba nada tem – cair? Só com vantagens, muitas vantagens, porque não é política de Donald Trump aumentar importações, muito ao contrário. Quem se mete numa briga de cachorros grandes como a dos EUA com a China tem de ter cacife, não caciques que fazem “comércio com partido”.
TIJOLAÇO

Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;