O jogo ainda não começou. Há tempo para rever rupturas e promover aproximações, deixando de lado as ambições hegemônicas de uns e a arrogância ressentida de outros. Apostar na oposição dividida é fazer tudo o que quer e espera o governo Bolsonaro


Senadora Gleisi Hoffmann.

O bloquinho criado esta semana por PDT, PSB e PCdoB na Câmara visa sobretudo a garantir espaço na Mesa e na futura eleição para a presidência da Casa. Aparentemente, trata-se de uma operação para isolar o PT, o que interessaria sobretudo ao PDT de Ciro Gomes, que agora ganha a vida batendo nos petistas e buscando tirar deles a hegemonia da oposição ao bolsonarismo. Aparências, porém, são aparências.


Por trás do tiroteio na oposição – que conta também com os petistas que não conseguiram superar as escaramuças da campanha contra Ciro -, porém, há gente olhando para frente e pensando um pouco mais estrategicamente.

Foto Orlando Brito
No mesmo dia em que se anunciou a formação do “bloquinho” da esquerda na Câmara, o PT tratou de fazer uma reunião e divulgar em seu site a criação do Observatório da Democracia, fruto de um acordo entre as fundações do PT, do Psol, do PSB, do PDT, do PCdoB, do Pros e do Solidariedade – ou seja, Bloquinho + 4.

Os presidentes das fundações partidárias estão conversando há tempos e fazendo o que os dirigentes das bancadas não conseguiram ainda, que é unificar a oposição em torno de uma agenda comum para estudar as políticas públicas e ações do novo governo e criticá-las de forma mais consistente, a partir de dados e estudos de especialistas. Em outras palavras, vão funcionar como uma espécie de “shadow cabinet”, instituição usada pelas oposições em regimes parlamentaristas para funcionar como contraponto, área por área, às ações do governo.

Entre os coordenadores do projeto Observatório da Democracia está o presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochman, que, junto aos diirgentes das demais fundações, acredita que o trabalho de sistematização e acompanhamento das políticas públicas do governo deverá gerar subsídios também para os movimentos sociais que poderão dar corpo à futura oposição.

O principal, dizem observadores experientes da esquerda brasileira, é lembrar hoje que o jogo ainda não começou. Há tempo para rever rupturas e promover aproximações, deixando de lado as ambições hegemônicas de uns e a arrogância ressentida de outros. Apostar na oposição dividida é fazer tudo o que quer e espera o governo Bolsonaro.




Os Divergentes

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