Demorou, mas aconteceu.
Em Davos, Jair Bolsonaro disse a agência Bloomberg que “se por acaso ele [Flávio Bolsonaro] errou, e isso for provado, eu lamento como pai, mas ele terá que pagar o preço por essas ações que não podemos aceitar.”
Para os xiitas do bolsonarismo, que viam as denúncias como uma conspirata contra a “Família Bolsonaro” e para os que estão reunindo uma montanha de fatos sobre as transações obscuras e ligações suspeitas do “Filho 01” isso equivale a lançar Flávio ao mar.
Se o pai diz que “ele terá que pagar o preço por essas ações que não podemos aceitar”, quem lhe dará um “desconto”.
O “pequeno problema” é que Fabrício Queiroz não era ligado apenas a Flávio, mas a Jair. E bem antes de se ligar ao filho presidencial.
Tão ligado que, confessadamente, o hoje presidente lhe fazia favores financeiros de emprestar R$ 40 mil, parcialmente pagos por cheques depositados na conta da agora “primeira-dama”.
Será dificílimo pretender blindar-se dos próprios filhos que, aliás, são seus rebentos políticos, também: nenhum deles tinha luz própria e fizeram carreira não pelo prenome, mas pelo sobrenome e pauta selvagem do pai.
Ontem, na Folha, Rainier Bragon antecipava essa incapacidade de descolar-se da história, no artigo “Bolsonaro tem tudo a ver com o Flaviogate, só não vê quem não quer”.
É plausível Bolsonaro emprestar R$ 40 mil a um sujeito que movimentava milhões, segundo o Coaf? É plausível que esse milionário fizesse o suposto reembolso não de uma vez, mas em uma espécie de carnê das Casas Bahia (dez parcelas)? É plausível o presidente não ter mostrado sequer um extratozinho bancário do suposto empréstimo? É plausível o pagamento ter ido para a mulher sob o argumento de que o marido, que recebia mensalmente R$ 33,7 mil na conta, não ter tempo de movimentar dinheiro? É plausível Bolsonaro não saber o que a filha de Queiroz fazia em seu gabinete? E, em não sabendo, não procurar se informar nem divulgar?
Não, e é bom ja ir trocando de apelido.
“Mito” não é mais plausível.
TIJOLAÇO

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