A estratégia de ação política do juiz Moro foi definida por ele em artigo publicado na Folha em 2004 "Considerações sobre a Operação Mani Pulite" [Operação Mãos Limpas]. Conduções coercitivas, delações premiadas, vazamentos e participação da mídia.

Agora, alçado ao patamar de paladino da justiça no ministério do mesmo nome, com poderes que nunca foram dados a nenhum outro (nem na época da ditadura), Moro não vai mudar seu modo de ação. Afinal, foi o que o trouxe até o lugar que ocupa. E mais: é o que se espera dele.

Logo, Moro terá de agir rápido, não apenas para não perder protagonismo no governo, como para abafar o caso Queiróz, o motorista enrolado da família Bolsonaro, e também as medidas impopulares tomadas de cara pelo governo, como aumento menor do salário mínimo, a demarcação das terras indígenas e a reforma agrária nas mãos dos ruralistas, a Previdência sob ataque, a extinção da CLT etc.

Sua PF vai agir rápido. A questão é sobre quem. Poderia ser sobre Temer, que já não é mais presidente e está sujo além do pescoço com acusações de corrupção, que só não o levaram à prisão pelo cargo que já não ocupa. Idem Aécio.

Mas Bolsonaro precisa do MDB, o mais provável é que dê fuga a Temer, com um cargo qualquer no exterior. E Aécio é "de casa"...

E o principal: o inimigo escolhido pela turma do Bolsonaro é o PT, logo, a PF deve agir a partir daí, usando para isso as mesmas acusações sem provas de Palocci, já utilizadas por Moro durante a campanha para prejudicarem a candidatura Haddad.

Por isso, a depender do atrevimento de Moro, de até onde está disposto a ir, a presidenta do PT Gleisi Hoffman, "Lulinha", o filho de Lula, Haddad ou até a ex-presidenta Dilma devem ser alvos de ações da Polícia Federal.

Todos para atingir o PT. Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", para machucar ainda mais Lula (Moro já mostrou que gosta de fazer isso, como quando marcou depoimento de Lula na data da morte de dona Marisa).




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