Vídeo disseminado por Rafael Martelo no twitter

Da Redação


Os estudantes que vão prestar o Enem em 2019 que se cuidem.

Em primeiro lugar, por conta do sigilo, já que o neofascista Jair Bolsonaro quer conhecer a prova antes de ser aplicada.

Depois, por conta de “pegadinhas” ideológicas.

Por exemplo: há alguma dúvida de a Terra faça órbita em torno do Sol?

Se o estudante responder que sim, pode acabar surpreso com o resultado, já que o intelectual idolatrado por Bolsonaro e pelo organizador da próxima prova duvida disso.

Veja o vídeo acima e depois leia sobre o homem que vai cuidar do Enem, que já acusou professores de pregarem o aborto, o incesto e a pedofilia, de acordo com o diário Zero Hora (reprodução parcial):

Quem é Murilo Resende, o escolhido de Bolsonaro para comandar o Enem

Depois de criticar as questões de 2018 e afirmar que vai examinar as perguntas previamente, presidente da República indica para cuidar do exame economista que fez ataque duro aos professores brasileiros

Recém-indicado e já sob ataque, o futuro coordenador do Exame Nacional do Ensino Médio(Enem), Murilo Resende Ferreira, foi defendido neste sábado (5) em um tuíte de Jair Bolsonaro. O presidente da República registrou que o economista vai focar na “medição da formação acadêmica e não somente (n)o quanto ele (o aluno) foi doutrinado em salas de aula” — “seus estudos deixam claro a priorização do ensino ignorando a atual promoção da ‘lacração'”.

Em vídeo transmitido em novembro, logo depois de ser eleito, Bolsonaro atacou as questões do último Enem e disse que, sob sua gestão, o governo vai interferir na prova:

— Podem ter certeza e ficar tranquilos. Não vai ter questão desta forma ano que vem, porque nós vamos tomar conhecimento da prova antes. Não vai ter isso daí.

Encarregado de comandar essa empreitada, Resende é um economista e blogueiro de 36 anos que idolatra o filósofo Olavo de Carvalho e milita nos extremos da direita conservadora, como muitos dos novos integrantes do governo.

No final da semana passada, quando veio a público que ele seria o novo diretor de avaliação da Educação Básica do Instituto de Estudos e Pesquisa Educacionais (Inep), seu blog e suas redes sociais começaram a ser escrutinados, trazendo à tona afirmações controversas.

Na tarde deste domingo, as páginas de Resende na internet e nas redes sociais estavam fechadas ou apagadas.

Um dos episódios lembrados nos últimos dias foi a participação do economista em uma audiência sobre “Doutrinação Político-Partidária no Sistema de Ensino”, realizada em 2016 pelo Ministério Público Federal. Na ocasião, Resende disse que professores brasileiros são desqualificados e manipuladores, que tentam roubar o poder da família praticando a ideologia de gênero e que pregam aborto, incesto e pedofilia:

— Precisa de uma reforma absurda, completa, para limpar toda essa contaminação ideológica até o ponto em que os professores voltem a se preocupar com a sala de aula, e não só com filosofia da educação, ficar discutindo Paulo Freire e a criança do futuro que será um jovem socialista.

Resende teria sido expulso do MBL

Originário de Goiás, onde leciona, Resende fez cursos online de Olavo de Carvalho e integrou o Movimento Brasil Livre (MBL), de caráter conservador. No fim de semana, Renan Santos, um dos fundadores e coordenadores nacionais do movimento, afirmou no Twitter que Resende foi expulso do MBL, por ser um “maluco completo”, um “lunático, conspiratório, fora da realidade”.

No sábado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República, usou as redes sociais para se pronunciar. Afirmou que, com Resende, o Enem vai ser diferente.

“Atenção professores: seu aluno que inicia agora o 1º ano do Ensino Médio não precisa saber sobre feminismo, linguagens outras que não a língua portuguesa ou História conforme a esquerda, pois o vestibular dele será em 2021 ainda sob a égide de pessoas da estirpe de Murilo Resende”.

Eduardo referia-se a algumas das questões do último Enem que foram alvo dos ataques de Bolsonaro, como uma pergunta sobre dialetos que apresentava como exemplo um dialeto da comunidade LGBT+. Em entrevista antes de assumir o cargo, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, já antecipou que dará aval para a consulta prévia das provas do Enem pelo presidente.

— Se o presidente se interessar, ninguém vai impedir. Ótimo que o presidente se interesse pela qualidade das nossas provas.

Para que isso aconteça, Bolsonaro terá que mudar normas administrativas que regem o Enem. E, se quiser evitar eventuais questionamentos judiciais, deverá fazer até mesmo ajustes na legislação.

A intenção presidencial provocou reação de educadores, para quem há risco para a credibilidade técnica e o sigilo do Enem.





Viomundo

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