Foto: Agência Brasil

Jornal GGN - Lideranças indígenas temem que a mudança de políticas para a população indígena, do governo Jair Bolsonaro, contribua para uma série de ações orquestradas contra terras indígenas. No primeiro dia de gestão, o presidente transferiu da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Agricultura a responsabilidade de demarcação de terras indígenas.

Paralela a essa mudança, desde o início do ano, duas terras indígenas foram alvo de invasões e povos originários foram atacados a tiros. O balanço é da reportagem da Deutsche Welle. Em entrevista para o jornal, Awapu Uru-eu-wau-wau, líder da aldeia Uru-eu-wau-wau, em Rondônia, uma das terras invadidas, expressou sua preocupação.

A terra dos Uru-eu-wau-wau é a maior área de Floresta Amazônica preservada em todo estado e foi oficializada à etnia indígena em 1991. No local, ainda há povos que escolheram viver em isolamento. A TI foi invadida por 40 pessoas nos últimos dias que derrubaram árvores e se recusam a sair.


"Os invasores dizem que o novo presidente ganhou e que agora está tudo liberado", disse Awapu à DW Brasil, completando:

"Eles dizem que não veremos mais árvores em pé, que vão plantar soja e capim". A presidente da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sonia Guajajara pondera que a invasão TI é uma ação orquestrada e crescente em todo o país.

"Está acontecendo de forma articulada e orientada pelos invasores, que estão ligados aos grandes produtores rurais e à especulação imobiliária", refletiu. Outra TI que sofre invasão é a da comunidade Ponta do Arado, em Porto Alegre (RS).

Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que acompanha de perto o conflito, os invasores disseram ao cacique do povo guarani mbya que estão protegidos pelo novo governo. "Há um estímulo no âmbito da política para que esse tipo de ação se desenvolva", comentou Roberto Liebgott, porta-voz do Cimi na região sul do país.

No Maranhão, grupos expulsos da Terra Indígena Awá-Guajá, em 2014, circularam recentemente uma carta organizando um encontro, que ocorreu no domingo passado, incentivando às famílias a se organizarem para voltar a invadir o território.

A reportagem do DW procurou o Ministério da Agricultura para se manifestar sobre as invasões, especialmente sobre o argumento dos invasores de que o governo está atuando em uma nova política de demarcação.

"O uso de terra indígena para atividades comerciais por terceiros, mesmo em parceria, é hoje proibido. Até eventuais iniciativas econômicas da União, previstas na Constituição, dependem de regulamentação no Congresso. A questão excede, portanto, a competência da Funai e do Ministério da Agricultura", respondeu a pasta por e-mail.

Sonia Guajajara comentou que "por enquanto" a população indígena não tem conseguindo diálogo com o governo. "O órgão [Funai] criado para cuidar das causas indígenas perdeu completamente a autonomia. Esse governo quer destruir os direitos dos povos indígenas", disse.

O DW procurou também o Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, agora responsável pela Fundação, recebendo como resposta que, desde o decreto presidencial, o órgão "ainda está na estrutura do Ministério da Justiça".

O Ministério da Justiça, por sua vez,que se limitou a responder que a Funai "faz parte do Ministério da Mulher". Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.






GGN

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