O presidente Nicolás Maduro assumiu o poder para um segundo mandato de seis anosREUTERS/Carlos Garcia Rawlins

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, prestou juramento nesta quinta-feira (10) para um segundo mandato de seis anos, desafiando os Estados Unidos e grande parte da comunidade internacional, que consideram sua reeleição ilegítima. O líder venezuelano aproveitou a cerimônia para alfinetar o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.


O presidente venezuelano, de 56 anos, foi investido perante o Tribunal Supremo Eleitoral (TSJ) e não perante o Parlamento, a única instituição nas mãos da oposição.

"Juro em nome do povo da Venezuela (...) juro pela minha vida", declarou Maduro, que recebeu a faixa presidencial do presidente da Suprema Corte de Justiça (governista), em um ato que não foi assistido por nenhum representante da União Europeia (UE) ou a maioria dos países das Américas. Os europeus, assim como os Estados Unidos e o Grupo Lima – formado por 14 países – contestaram a reeleição de Maduro no pleito de 20 de maio.

Maduro pediu que a Venezuela seja ouvida para “resolver esta situação”, em alusão a crise política que assola o país. O presidente continuou criticando a “intolerância” entre os governos de direita que se opõem a ele na região.

O líder também acusou a oposição venezuelana, qualificando-a de “fascista”, que teria “infectado a direita latino-americana e caribenha”, antes de se referir ao chefe de Estado brasileiro: “Veja o caso do Brasil e do surgimento de um fascista como o presidente Jair Bolsonaro”, disse Maduro.

EUA vão aumentar pressão contra Caracas


Pouco antes da posse, Washington se negaram novamente a reconhecer a legitimidade do governo Maduro e prometeu aumentar a pressão sobre o presidente venezuelano, de acordo com o assessor de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton. "Os Estados Unidos não reconhecem a posse ilegítima da ditadura de Maduro. Continuaremos aumentando a pressão sobre o regime corrupto, apoiando a democrática Assembleia Nacional (Parlamento) e cobrando democracia e liberdade na Venezuela", escreveu Bolton no Twitter. As autoridades norte-americanas já anunciaram novas sanções financeiras contra personalidades e empresas na Venezuela.



Mobilização internacional contra Maduro


Coincidindo com a posse, duas horas depois, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou uma resolução para declarar ilegítimo o segundo mandato de Maduro. O texto, aprovado por 19 votos a favor, seis contra, oito abstenções e uma ausência, declara a "ilegitimidade do novo mandato de Nicolás Maduro que se iniciou em 10 de janeiro".

A medida é um chamado à "realização de novas eleições presidenciais com todas as garantias necessárias para um processo livre, justo, transparente e legítimo", estipula a resolução. Entre os países que votaram a favor estão Argentina, Estados Unidos, Colômbia, Chile, Equador, Canadá e Brasil. Venezuela, Nicarágua, Bolívia e alguns países caribenhos votaram contra, e entre os países que se abstiveram, o México.







RFI

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