A ligação de Flávio Bolsonaro com as milícias é algo que passou de pai para filho.
Jair é um herói para esses bandos e os exaltou ao longo da carreira.
Em 2003, fez na Câmara a elegia de um grupo de exterminadores que atuava na Bahia, com um convite.
“Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo”, falou.
“Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o meu apoio” (o áudio está no pé do artigo).
O que significa “todo meu apoio”?
Há dez anos, criticou em plenário o relatório da CPI da Alerj que apurava a atuação dos grupos paramilitares e as punições requeridas.
Detectaram-se cobrança de propina, serviços clandestinos, venda de apoio político etc.
“Existe miliciano que não tem nada a ver com gatonet, com venda de gás. Como ele ganha R$ 850 por mês, que é quanto ganha um soldado da PM ou do bombeiro, e tem a sua própria arma, ele organiza a segurança na sua comunidade”, declarou o então deputado.
“O Marcelo Freixo tem trânsito livre em qualquer favela do Rio de Janeiro e a sua principal proposta é desarmar o bombeiro militar”.
“Ele inclusive pregou, por ocasião do referendo do desarmamento, o voto sim, ou seja, pela proibição do comércio e da fabricação de armas de fogo no Brasil. Hoje, de forma covarde – porque ele é um covarde –, Marcelo Freixo anda em carro blindado e com meia dúzia de seguranças. Ele tem de dar o exemplo. Se é homem suficiente para pedir o desarmamento, dê o exemplo: não ande em carro blindado e com meia dúzia de seguranças.”
Em entrevista à BBC, defendeu a legalização do que chamou de “defensores da ordem”.
Refere-se ao inimigo pelo apelido idiota de “Frouxo”, algo supostamente engraçado entre repetentes de 15 anos.
Em fevereiro, na encarnação de candidato, voltou ao tema na Jovem Pan.
“Tem gente que é favorável à milícia, que é a maneira que eles têm de se ver livres da violência. Naquela região onde a milícia é paga, não tem violência”, inventou.
As milícias surgiram há cerca de 20 anos a reboque do abandono da população pelos governos.
São herdeiras dos esquadrões da morte da ditadura, contratadas por comerciantes e “caciques” para “limpar” a área da “bandidagem” (lato sensu).
Cresceram e atualmente podem faturar 20 milhões de reais por mês na zona oeste do Rio, seu principal reduto.
Em 2016, candidatos a prefeito e a vereador foram assassinados, incluindo o presidente da Portela, Marcos Falcon.
Em março passado, foi Marielle Franco.
Essa máfia hoje tem um padrinho e ele está sentado no Palácio do Planalto, cercado daqueles filhos.
DCM
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