Bruno Fiusa Gorrera (à esq.) e Rafael Augusto Vieira (dir.), mortos em ataque a tiros no dia 24 de setembro de 2014 | Foto: Arquivo pessoal
Fernando Cardoso de Oliveira e Vanderlei Messias Barros respondem pelas execuções de Rafael Augusto e Bruno Fiusa e por outra tentativa de homicídio no mesmo ataque, ocorrido em setembro de 2014
por Renan Omura, especial para Ponte
Os ex-PMs Fernando Cardoso Prado de Oliveira e Vanderlei Messias Barros vão a júri popular nesta terça-feira (19/02) acusados pelos assassinatos de Rafael Augusto Vieira Muniz, de 26 anos, e Bruno Fiusa Gorrera, de 24 anos. A dupla também será julgada pela tentativa de homicídio de Wellington Ludin Dias, que sobreviveu ao ataque. O crime ocorreu na noite de 24 de setembro de 2014, no bairro Jardim Camila, em Mogi das Cruzes, cidade na Grande São Paulo. As vítimas estavam na calçada e foram baleadas por atiradores que passaram em um veículo prata. Wellington que sobreviveu ao ataque, reconheceu os ex-agentes de segurança como autores dos disparos. O júri começa às 13 horas no Fórum de Brás Cubas, em Mogi.
Lucimara Aparecida Vieira Muniz, de 42 anos, é mãe de Rafael Augusto. Ela conta que o filho foi assassinado próximo à casa da família e foi possível escutar os tiros. “Ele tinha ido buscar um pouco de óleo na casa da minha irmã para preparar uma salada. Eu e meu esposo escutamos os disparos, quando fomos na rua, vimos o Rafael caído no chão ao lado de Bruno. Foi muito rápido”, relembra dona Lucimara.
Rafael era pai de Melissa, hoje com 8 anos. Lucimara relata que a neta tinha 3 anos na época e passou a sofrer de insônia após o assassinato do pai. “Ela dormia às 3 horas da madrugada e acordava às 6 horas da manhã. Algumas vezes, chorava muito com saudade. Hoje, graças a Deus, ela está melhor, mas no aniversário, ela ainda sente muito a falta dele”, explica a avó.
Este não é o primeiro crime ao qual o ex-PM Fernando Cardoso de Oliveira responde em julgamento. Em outubro de 2018, o tribunal do júri o considerou inocente pela morte de Matheus Aparecido da Silva, de 16 anos, assassinar um comparsa do suspeito grupo de extermínio que agia na cidade, e de tentar matar outros dois jovens. A defesa de Oliveira acusou a Polícia Civil de armar um complô contra o ex-agente de segurança, enquanto acusação assegurava que ele agia no grupo de extermínio – um dos argumentos era de que não houve chacinas semelhantes em Mogi das Cruzes desde a prisão de Fernando. O júri entendeu ser válida a versão do ex-PM e o absolveu das acusações.
Além do julgamento desta terça-feira (19/1), os dois ex-PMs passarão por outro júri no dia 22 de agosto. Cardoso e Messias – que é estreante em júris – serão julgados pelos assassinatos de Marcos Vinícius dos Santos, de 15 anos, Matheus Justino da Costa, de 17, e Thiago Nogueira Novaes, de 25. Este outro ataque ocorreu na tarde de 8 de julho de 2015 na Rua Professor Gumercindo Coelho, no bairro Jardim Universo, também em Mogi das Cruzes. Três morreram e dois foram feridos.
Lucimara Aparecida Vieira Muniz, de 42 anos, é mãe de Rafael Augusto. Ela conta que o filho foi assassinado próximo à casa da família e foi possível escutar os tiros. “Ele tinha ido buscar um pouco de óleo na casa da minha irmã para preparar uma salada. Eu e meu esposo escutamos os disparos, quando fomos na rua, vimos o Rafael caído no chão ao lado de Bruno. Foi muito rápido”, relembra dona Lucimara.
Rafael era pai de Melissa, hoje com 8 anos. Lucimara relata que a neta tinha 3 anos na época e passou a sofrer de insônia após o assassinato do pai. “Ela dormia às 3 horas da madrugada e acordava às 6 horas da manhã. Algumas vezes, chorava muito com saudade. Hoje, graças a Deus, ela está melhor, mas no aniversário, ela ainda sente muito a falta dele”, explica a avó.
Este não é o primeiro crime ao qual o ex-PM Fernando Cardoso de Oliveira responde em julgamento. Em outubro de 2018, o tribunal do júri o considerou inocente pela morte de Matheus Aparecido da Silva, de 16 anos, assassinar um comparsa do suspeito grupo de extermínio que agia na cidade, e de tentar matar outros dois jovens. A defesa de Oliveira acusou a Polícia Civil de armar um complô contra o ex-agente de segurança, enquanto acusação assegurava que ele agia no grupo de extermínio – um dos argumentos era de que não houve chacinas semelhantes em Mogi das Cruzes desde a prisão de Fernando. O júri entendeu ser válida a versão do ex-PM e o absolveu das acusações.
Além do julgamento desta terça-feira (19/1), os dois ex-PMs passarão por outro júri no dia 22 de agosto. Cardoso e Messias – que é estreante em júris – serão julgados pelos assassinatos de Marcos Vinícius dos Santos, de 15 anos, Matheus Justino da Costa, de 17, e Thiago Nogueira Novaes, de 25. Este outro ataque ocorreu na tarde de 8 de julho de 2015 na Rua Professor Gumercindo Coelho, no bairro Jardim Universo, também em Mogi das Cruzes. Três morreram e dois foram feridos.

Rafael tinha uma filha, então com 3 anos, quando assassinado | Foto: Arquivo pessoal
Segundo testemunhas, homens em uma moto efetuaram os disparos que mataram os jovens. De acordo com MP (Ministério Público), Cardoso integrava um grupo de extermínio em Mogi das Cruzes que assassinou ao menos 21 pessoas entre novembro de 2014 e julho de 2015, em bairros periféricos da cidade. O ex-PM Cardoso tem seis inquéritos por homicídio, enquanto Messias responde em dois inquéritos também pelo mesmo crime.
Mães em luta
No dia do julgamento, as Mães Mogianas e as Mães de Maio – coletivos independentes formados por mães, amigos e familiares de vítimas da violência do Estado – realizarão uma manifestação em frente ao Fórum de Brás Cubas. Maria Aparecida Marttos, integrante do grupo Mães Mogianas, relata a importância de estar promovendo atos em prol de justiça.
“Queremos mostrar para os jurados o que aconteceu com a gente. É importante que eles saibam como nós sofremos e enfrentamos diariamente essa luta por justiça. Não é fácil. Temos medo que todos esses crimes fiquem impunes e isso não pode acontecer”, explica. O temor envolve justamente a absolvição em 30 de outubro de 2018.
Os coletivos independentes Mães Mogianas e Mães em Luto da Zona Leste organizam uma viagem para o IV Encontro de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo do Estado que ocorrerá em Goiânia no mês de maio. Maria relata que o encontro anual, além de fortalecer a união das mães, é uma maneira de chamar a atenção para que esses crimes envolvendo forças policiais e agentes de segurança não ocorram novamente.
Segundo testemunhas, homens em uma moto efetuaram os disparos que mataram os jovens. De acordo com MP (Ministério Público), Cardoso integrava um grupo de extermínio em Mogi das Cruzes que assassinou ao menos 21 pessoas entre novembro de 2014 e julho de 2015, em bairros periféricos da cidade. O ex-PM Cardoso tem seis inquéritos por homicídio, enquanto Messias responde em dois inquéritos também pelo mesmo crime.
Mães em luta
No dia do julgamento, as Mães Mogianas e as Mães de Maio – coletivos independentes formados por mães, amigos e familiares de vítimas da violência do Estado – realizarão uma manifestação em frente ao Fórum de Brás Cubas. Maria Aparecida Marttos, integrante do grupo Mães Mogianas, relata a importância de estar promovendo atos em prol de justiça.
“Queremos mostrar para os jurados o que aconteceu com a gente. É importante que eles saibam como nós sofremos e enfrentamos diariamente essa luta por justiça. Não é fácil. Temos medo que todos esses crimes fiquem impunes e isso não pode acontecer”, explica. O temor envolve justamente a absolvição em 30 de outubro de 2018.
Os coletivos independentes Mães Mogianas e Mães em Luto da Zona Leste organizam uma viagem para o IV Encontro de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo do Estado que ocorrerá em Goiânia no mês de maio. Maria relata que o encontro anual, além de fortalecer a união das mães, é uma maneira de chamar a atenção para que esses crimes envolvendo forças policiais e agentes de segurança não ocorram novamente.

Mães realizam encontro anualmente para manter a luta de pé | Foto: Divulgação
“Nesse encontro vem mães de todo Brasil que perderam filhos. Na edição do ano passado, vieram mães até de outros países, como da Colômbia. O intuito do encontro é lutar pelos nossos filhos, mas também lutar para que isso não aconteça com os jovens de nosso país”, conta Maria Aparecida. As mães buscam apoio para o custeio de alimentação, alojamento e passagem.
Ponte Jornalismo
“Nesse encontro vem mães de todo Brasil que perderam filhos. Na edição do ano passado, vieram mães até de outros países, como da Colômbia. O intuito do encontro é lutar pelos nossos filhos, mas também lutar para que isso não aconteça com os jovens de nosso país”, conta Maria Aparecida. As mães buscam apoio para o custeio de alimentação, alojamento e passagem.
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