“Mas no meu lugar se ponha e suponha que / No século 21, a cada 23 minutos morre um jovem negro / E você é negro que nem eu, pretin, ó / Não ficaria preocupado?”.
Essa é uma parte da música Favela Vive 3, cantada pelo rapper Djonga, que desperta em mim um alerta que me acompanha desde criança: o medo de morrer nas mãos da polícia.
Não é novidade que a polícia do Rio de Janeiro está entre as que mais mata do país. O Atlas da Violência 2018 aponta que a cada 100 pessoas mortas no Brasil, 71 são negras.
A violência policial que muitos lêem no jornal e a militarização que tantos pedem – o Rio estava até dezembro sob intervenção federal na segurança, com os militares à frente da Secretaria de Segurança Pública – é, parte do meu cotidiano. E esse diário sintetiza como é ser um negro de 20 anos morador de uma favela na zona norte do Rio de Janeiro.