Para diretor da FNU, decisão do TST é uma forma de impedir o debate sobre privatizações no país MARCELO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL
"A privatização num setor estratégico, como é o setor de energia elétrica, não diz respeito apenas aos trabalhadores", diz diretor da Federação Nacional dos Urbanitários
por Redação RBASão Paulo — A decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de considerar abusivas greves contra a privatização de empresas estatais não deve intimidar os trabalhadores do setor energético. Ao menos é o que afirma Fernando Pereira, diretor da Federação Nacional dos Urbanitários e do Coletivo Nacional dos Eletricitários.
“Uma coisa é certa: nada para os trabalhadores foi dado de graça, tudo o que temos foi conquistado, então (essa decisão) não muda em nada nossa vontade de lutar, nossa vontade de defender o patrimônio público. O que está em jogo não é apenas nosso emprego, é a soberania nacional, está em jogo entregar para a iniciativa privada, principalmente para os estrangeiros, um setor super importante para a economia do país”, disse o dirigente, em entrevista ao jornalista Rafael Garcia, na Rádio Brasil Atual.
Segundo Pereira, a decisão do TST é uma forma de impedir o debate. Por isso, a assessoria jurídica da Federação está analisando a decisão do tribunal para ver quais recursos são cabíveis, inclusive outra decisão referente especificamente a privatização da Eletrobras.
“Só temos a lamentar esse tipo de decisão, estamos regredindo, voltando ao tempo da ditadura. Dizer que lutar contra a privatização é lutar pela manutenção dos postos de trabalho é, no mínimo, má-fé, porque a privatização num setor estratégico, como é o setor de energia elétrica, não diz respeito apenas aos trabalhadores. Haja vista que o mais penalizado é a população, com aumento de tarifa da conta de luz, com a precarização do serviço, então a população é super prejudicada e o histórico de privatização pelo mundo tem mostrado isso.”
Na segunda-feira (11), a Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do TST considerou abusiva greve no Sistema Eletrobras realizada em junho do ano passado, contra a privatização. Por maioria, o entendimento foi de que a paralisação teve caráter político e não trabalhista.
Ouça a entrevista na íntegra:
Rede Brasil Atual

Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;