A filósofa Marcia Tiburi, que num ato de coragem política concorreu em uma chapa de esquerda (PT-PCdoB) ao governo do Rio de Janeiro em outubro passado, é mais uma vítima do ódio fascista no Brasil. Após sofrer inúmeras ameaças e de ser obrigada a andar com seguranças, ela decidiu deixar o país – a exemplo do que já havia feito Jean Wyllys, que renunciou ao mandato de deputado federal pelo PSOL e hoje reside na Europa.
Marcia Tiburi virou alvo de ataques a partir do momento em que oficializou a sua candidatura. Após o pleito, porém, as agressões não pararam. “Eu não podia ir mais na farmácia, no supermercado. Um dia eu caí na besteira de entrar no metrô em São Paulo. Fui atacada por um cara que gritava comigo: ‘eu tenho orgulho de ser fascista! Eu tenho orgulho de ser fascista’. Foi muito assustador”, relatou ao site do PT. A renomada intelectual contou ainda que foi ameaçada de morte ao divulgar seus eventos literários. “Recebi uma mensagem: ‘quando você estiver lá, assinando o livro, eu vou estar lá e vou te matar’”.
Marcia Tiburi pretende continuar com sua militância política no exterior. Ela deseja concentrar suas energias na denúncia da ofensiva fascista no país com a eleição de Jair Bolsonaro e na luta pela liberdade do ex-presidente Lula. Conforme afirmou ao site, ela espera “ter o direito de, em breve, poder viver novamente no Brasil, com segurança, respeito e, sobretudo, democracia”. Autora de mais de 20 livros de filosofia e ficção, Marcia Tiburi acaba de lançar uma nova obra, intitulada “Delírio do poder”, que trata exatamente da loucura fascista na era da desinformação. O livro é dedicado a Lula e à vereadora assassinada Marielle Franco.
Na semana passada, ela recebeu uma carta de solidariedade do ex-presidente Lula que irá para a orelha do livro. Leia abaixo:
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À Márcia Tiburi não falta coragem. Nas suas opiniões, ideias e atitudes, ela não tem medo de arriscar, de dizer o que pensa e sente, de correr o risco de desagradar. Ela não vai se calar diante de uma injustiça ou para manter um espaço em um canal de TV. Ela não vai nunca abdicar da sua voz e das suas reflexões. Ela vai dizer e escrever o que ela pensa. O seu leitor pode ter certeza disso.
Conheci a Márcia pela sua coragem nas suas análises, opiniões, livros e na sua vida. E ano passado ela teve a coragem de ir além de analisar e escrever sobre o cenário político para participar das disputas eleitorais, algo que pouca gente tem coragem de fazer.
A política é ao mesmo tempo a atividade mais exigida pela sociedade e a mais criticada. As pessoas exigem mais de um político do que muitas vezes exigem de si mesmas. E não importa quem seja o político, a satisfação a quem depositou sua confiança nele.
Claro que a política é cheia de falhas, porque é humana. Mas quando se nega a política, o que vem depois, e estamos vendo isso hoje no Brasil, é sempre pior.
Márcia, em um momento muito difícil do país, e em especial do Rio de Janeiro, teve a coragem de assumir o desafio de ser candidata, de se propor a cuidar da população, a conversar e entender seus problemas e aflições.
Eu sei que uma experiência dessas é transformadora e teve forte efeitos nas suas reflexões sobre o momento atual, tornado esse livro ainda mais interessante ao unir a cultura e teoria que a Márcia conhece com a sua experiência prática no desafio nas ruas, na imprensa, nas mídias sociais, em debater política no mundo de hoje.
Esse livro é mais uma coragem dela de pensar e agir livremente. Liberdade tão essencial ao ser humano. Porque podem prender a democracia, mas a cada quatro anos ele tem que sair na rua para pedir voto, no sol, na chuva, dando suor nos nossos corpos, mas é a coragem e o pensamento que nos fazem livres e não prisioneiros.
Lula
Altamiro Borges

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