Uma pedra sobre o assassinato de Marielle Franco, por Gustavo Gollo


O delegado do caso Marielle acaba de ser trocado. O que assume agora, indicado por um governador comprometido até sua posse em abafar as investigações, parece ter sido escolhido exatamente com esse propósito – de abafá-las.

O antigo delegado, de qualquer modo, o que deveria ter se responsabilizado pela solução do caso, passou um ano em silêncio, pedindo compreensão para com o sigilo sobre investigações que talvez em nada resultassem, não tivessem sido tão intensos os clamores carnavalescos. Foi só a partir de denúncia anônima, aliás, que os longos esforços acabaram resultando na prisão de um miliciano e de seu fiel escudeiro. A estratégia de manter sigilo, já anunciada também pelo novo delegado, aliás, se assenta como uma luva aos propósitos da Franquia do Crime, que consistem em abafar qualquer alusão a crimes cometidos por milicianos.

Antes que se instale o anunciado silêncio, lembremos de algumas lacunas, de respostas que não foram esclarecidas pelo delegado agora afastado do caso – afastado, aliás, para bem longe.

Acaso a denúncia que levou à prisão do réu, não se referia aos mesmos denunciados no artigo de O Globo sobre o “Escritório do Crime”, que teriam cobrado R$ 200 mil pelo assassinato, e teriam sido alvo da operação Intocáveis, na qual o mais intocável deles, o amigo da família do presidente, teria sido avisado das buscas, e escapado da prisão?

Qual o teor restante da denúncia que levou à prisão do réu?

Não foram 2 os carros usados para fechar aquele em que estava Marielle e executá-la? Não estariam os réus no carro que a fechou? Não estava no outro carro um especialista no uso da submetralhadora suposta como arma do crime?

Enquanto esperamos pelas respostas, atentemos para a extrema consideração outorgada pelos meios de comunicação aos ilustres criminosos, tão claramente alinhada às novas diretrizes tomadas pelo país, e em nítido contraste com a que foi dispensada ao ex-presidente Lula.

Fiquem também com esse vídeo ilustrativo da atuação das milícias:




GGN

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