Abraham Weintraub com seu chefe, Jair Bolsonaro
Bolsonaro e Vélez tiveram uma reunião no Palácio do Planalto pouco antes do anúncio da demissão do agora ex-ministro.
“Comunico a todos a indicação do Professor Abraham Weintraub ao cargo de Ministro da Educação. Abraham é doutor, professor universitário e possui ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta. Aproveito para agradecer ao prof. Velez pelos serviços prestados”, afirmou.
Abraham Weintraub não é conhecido por sua vida acadêmica, mas pela militância ultraconservadora e por sua atuação no mercado financeiro.
Abraham Weintraub é formado em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo (1994), dá aulas na Universidade Federal de São Paulo e atuou no mercado financeiro por mais de 20 anos. Foi sócio na Quest Investimentos e diretor do Banco Votorantim, além de integrar o comitê de trading da BM&F Bovespa (atual B3).
Ele é politicamente ligado a Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil. Na pasta, ocupava o segundo posto. Participou da equipe de transição, com contribuições para a área da Previdência
Em uma entrevista, ele explicou por que ele e o irmão, Arthur, decidiram apoiar Bolsonaro:
“Diante de ameaças, é necessário lutar pelo país em que se vive. Os venezuelanos descobriram isso muito tarde. Perderam o controle de sua pátria e hoje são colônia dos ditadores que controlam Cuba. São escravos”, disse Abraham.
Ele é ultra-direitista, mas não se reconhece assim. “Esquerda ou direita, acho que é uma rotulação pobre. Somos humanistas, democratas, liberais, lemos a Bíblia (Velho e Novo Testamento) e a temos como referência”, afirmou.
Abraham Weintraub já tornou público que segue Olavo de Carvalho, que era também guru de Ricardo Vélez Rodríguez. Abraham Weintraub defende adaptar teoria de Olavo de Carvalho para vencer a esquerda.
Na Cúpula Conservadora das Américas, realizada no Brasil graças ao empenho de Eduardo Bolsonaro, Abraham Weintraub foi um dos destaques.
Em entrevista a Luis Philippe Bragança, ainda antes da posse de Bolsonaro, ele atacou seus colegas na universidade, com a afirmação de que tinha sido ameaçado por apoiar o candidato de ultra-direita.
“Eu e ele (o irmão), a gente tem sido bem agredido verbalmente, e até ameaças físicas, pelos bolivarianos, porque, afinal de contas, a gente está em uma universidade federal, e lá é o templo deles”, afirmou.
Ou seja, do ponto de vista ideológico, Bolsonaro trocou seis por meia dúzia na área da educação.
A gestão na educação continuará sob influência de Olavo de Carvalho, mas com uma diferença: vai para lá um profissional com apetite para ganhar dinheiro e muito agressivo, que trata professores como adversários.
DCM

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