O Brasil estava conseguindo se aproximar dos Estados Unidos na formação de jovens doutores, revelam dados tabulados até 2014, período antes do movimento golpista de 2015/ 2016 e antes dos governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PSL), que iniciaram um processo de redução dos investimentos em Educação, ciência e tecnologia, seja com a PEC 95 (que congelou os investimentos), seja com cortes orçamentários ou mesmo com mudanças na legislação dos royalties do pré-sal.
Os dados do estudo “Mestres e Doutores 2015: Estudos da demografia da base técnico-científica brasileira”, que traz um retrato da atividade Recursos Humanos para a Ciência, Tecnologia e Inovação (RHCTI) da pós-graduação no Brasil entre 1996 e 2014, mostra o esforço do Brasil para formar jovens doutores nas últimas décadas. Os dados foram compilados pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização ligada ao Ministério da Educação (MEC).
De acordo com o estudo, em 2000, a média de idade de formação de um doutor nos Estados Unidos era de 34 anos enquanto no Brasil era de 38, diferença de 4 anos. Já em 2014, a diferença caiu para dois anos. A média dos EUA foi de 32 anos e a do Brasil de 34 anos.
Esse esforço do Brasil começou a partir dos anos 2000, quando o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) passou a incentivar a redução do tempo do mestrado, que normalmente durava 4 anos. Apesar de criticas iniciais, o modelo tentava se aproximar de países mais desenvolvidos e fazer com que os pesquisadores conseguissem ter o título de doutorado cada vez mais jovens. Ter doutores mais jovens significa que o país vai usufruir de uma formação qualificada por mais tempo.
Carta Campinas

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