
Não duvido por um minuto que um militar dê a vida para defender seu país.
Muito menos que a vida, simples cargos, seriam capazes de dar?
Pois é esta a questão que, a cada dia, vai se colocando diante dos oficiais-generais que aceitaram participar do centro do poder do Governo Bolsonaro e, agora, se vêem esbofeteados, pública e diariamente, pelas tropas bolsonaristas comandadas por Olavo de Carvalho e pelo filho pitbull, que referenda, em nome do pai, as barbaridades que são ditas nas redes sociais.
O nome, bem popular, não poderia ser outro: estão sendo esculachados.
É certo que o fizeram por merecer, ao imaginarem que a aventura de um medíocre fanático lhes serviria como montaria eleitoral. Mas não imaginavam que essa montaria agora os escoicearia como está fazendo.
Pior, a “mula” tomou para si a imagem e a chefia do Exército Brasileiro e não é de duvidar que, a esta altura, já haja nos quartéis uma compreensão que os generais, na reserva, não estão na cadeia de comando, enquanto o presidente, claro, é seu comandante em chefe.
Os senhores, generais, foram fazer política com um aventureiro, com alguém que sabiam desclassificado ao ponto de planejar colocar bombas em privadas de quartéis para aumentar seu soldo. Não podem agora se surpreender que, metaforicamente, o conteúdo das latrinas não espirre sobre os senhores, na verborragia do Rasputin da família regente.
O que mais esperam, agora que um ex-comandante do Exército teve de rebaixar-se a trocar desaforos com ele para defender outro general, chamado de “bosta” e de quem se disse que não “era homem” de discutir?
Não é um caso pessoal: ao desmoralizar os senhores, Bolsonaro e suas hordas desmoralizam as Forças Armadas para facilitar seu projeto de desmantelamento do país.
Pois, senhores, desfaçam com a política a desgraça que fizeram ao se meterem nela.
Não se sugere, é óbvio, uma intervenção, um golpe, a invasão dos poderes constituídos por quem não tem legitimidade para isso. Ajam como valentes, se o forem, e não como covardes.
Retirem, retirando-se do governo, a suposta delegação que Jair Bolsonaro tem dos senhores falar em nome do “pensamento militar”, porque sem os generais às pencas ele não pode invocá-la.
Sem a legitimidade – popular, inclusive – que lhe dá ser visto como “o presidente dos militares” – sem o que não venceria as eleições – não terá força para permanecer autônomo e arrogante, terá de limitar-se, controlar-se e preservar-se.
Não pensem que irão cooptá-lo, domá-lo, submetê-lo, não enquanto ele tiver esta força.
Não vão.
Se ele não é capaz de tomar a defesa dos que foram lhe servir diante dos ataques de um fanático furioso, um Adélio verbal, em nada a tomará. Ele se considera “quite” com os senhores com a proposta de reajuste dos soldos e os senhores devem-lhe, agora, o capachismo político.
Do contrário, senhores, ele os arrastará para a lama e, pelo que já se disse, sem sequer a atenuante de que tentaram resistir a isso, mas a agravante de que escolheram o caminho do pântano.
Certamente os senhores conhecem a frase de Calderon de La Barca, “ao rei, tudo, menos a honra”. Pois é ela que lhes está sendo tomada, ao serem achincalhados em praça pública por um desqualificado astrólogo, agindo a mando do clã presidencial.
É isso. Ajam, senhores, como homens de bem que não transigem com a honra e procedam dentro do limite da legalidade que, na reserva, não os impede de rejeitarem cargos civis.
Quem daria a vida, não pode entregar cargos e conservar a honra, a sua e a das Forças Armadas?
Ou então, conformem-se que seus cadetes logo estejam batendo continência a Olavo de Carvalho.
TIJOLAÇO
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