Reprodução/GloboNews

Jornal GGN – Mesmo que fosse sem desonerações, subsídios e outras despesas, o retorno do investimento público direto em infraestrutura, no patamar pré-crise, deveria estar em pauta. É a alternativa mais viável, a curto prazo, para estimular a economia, projetando aumento de consumo.

Sem confiança de que haverá aceleração das vendas de seus produtos, empresários não vão investir o necessário para empurrar a economia para frente, afirma a economista Laura Carvalho. O motivo é simples: não há como fazer movimentos arriscados com base em “elemento místico”. O empresariado não vai ampliar a produção enquanto houver capacidade ociosa. E é o que há, pois os brasileiros, endividados, não querem tomar crédito nem fazer novas dívidas: querem saldar o que devem.

“A única forma de quebrar o atual círculo vicioso é a expansão de algum componente autônomo da demanda. E, ao contrário do que se imagina, a recuperação dos investimentos das empresas nunca vem primeiro, pois não é autônoma, é induzida pelo grau de utilização da capacidade existente e pelas próprias expectativas de crescimento das vendas”, escreveu Laura à Folha desta quinta (23).

Para a economista, as exportações poderiam ser o motor de crescimento, mas a disputa entre EUA e China e a desaceleração global são entraves.

As concessões para o investimento privado em infraestrutura já foram tentadas por Michel Temer e Dilma Rousseff, mas o investidor estrangeiro tampouco demonstraram o interesse esperado pelos apostas de longo prazo com retorno incerto.

“Só resta, portanto, a política fiscal”, diz Laura, mas este viés que parece estar fora de questão para o governo Bolsonaro no momento. Para a equipe de Paulo Guedes, a solução para animar o mercado é aprovar a reforma da Previdência. Por isso, “a economia brasileira “vai continuar esperando sentada”.


GGN

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