Embora Villa afirme não saber se Bolsonaro pediu a sua cabeça, é provável que dinheiro da publicidade estatal tenha falado mais alto. Assim, aos poucos, veículos de comunicação vão limpando profissionais contrários ao governo. Substituto é fã declarado do presidente

Marco Antonio Villa era a voz mais crítica ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) na rádio Jovem Pan. O fato de ser considerado um dos profissionais mais valorizados da casa não o impediu de ser afastado pela direção.

O comentarista político da ‘JP’ disse ter recebido o pedido de afastamento com surpresa: “Recebi o comunicado com surpresa e não gostei, obviamente. Mas é evidente que eu aceitei. Continuo trabalhando, potencializando nas redes sociais, no meu canal no YouTube enquanto o país está explodindo”.

“O que aconteceu foi o seguinte: após o ‘Jornal da Manhã’ recebi a comunicação do vice-presidente da empresa, José Carlos Pereira, dizendo que não queria os meus serviços pelos próximos 30 dias”, afirmou Villa.

Villa não sabe dizer se Jair Bolsonaro foi quem pediu o seu afastamento. “Não posso dizer que ‘sim’, nem que ‘não’, mas não é agradável o que eu estou passando, não sou moleque, tenho história, compromisso com a história”, reclamou o comentarista.

No meio jornalístico, comenta-se que o afastamento de Villa, que é de direita, tenha relação com as críticas diárias que o historiador disparava contra Jair Bolsonaro, seus filhos e o guru ideológico da família, Olavo de Carvalho.

A artilharia contra o presidente poderia resultar em cortes de dinheiro da publicidade estatal. Mas não só isso: os diretores da Jovem Pan gozam de afinidade político-ideológica com o atual governo federal.

O substituto de Marco Antonio Villa no Jornal da Manhã será Augusto Nunes, que é amigo pessoal e apoiador confesso do atual presidente da República.

Felipe Moura, editor de livros de Olavo de Carvalho e diretor de jornalismo da Jovem Pan, informou que o presidente Bolsonaro não pediu a cabeça de Marco Villa.

“Villa, nesse período que compreende semanas de maio e junho, está de férias, e Bolsonaro nunca pediu ‘cabeça’ de qualquer profissional da empresa”, disse Moura.

O historiador rebateu: “De férias, eu não estou. Nunca tirei férias, não seria agora com essa situação do país que tiraria”. Villa sempre fez oposição a Lula, Dilma e Haddad, mas jamais foi afastado por criticar os últimos três.

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