
Nas ruas, os jovens lutam pelo futuro de nossa civilização!
Benedita da Silva, exclusivo para o Viomundo
A sociedade que estuda, pensa e cria não se deixou intimidar pelas ameaças do ministro da (des) Educação.
Em 190 cidades dos 26 estados e Distrito Federal, além de outras 10 cidades do exterior, os estudantes, professores, pesquisadores e trabalhadores ocuparam a ruas para protestarem em defesa da Educação mas também contra a reforma da Previdência.
As manifestações gigantes se repetiram em São Paulo (300 mil), Belo Horizonte (200 mil), Rio de Janeiro e Recife (ambas com 100 mil).
Em Curitiba, numa ação de grande simbolismo, os estudantes recolocaram na fachada da UPPR a faixa “Em defesa da Educação”, que tinha sido arrancada pelos manifestantes bolsonaristas no domingo passado.
Foi com essa formidável força social, política e moral que os estudantes ocuparam as ruas – e não porque foram “coagidos” por seus professores, como ridiculamente disse o ministro.
O jovem que protesta nunca o faz porque é obrigado, mas porque tem consciência da justeza da luta.
E esse tipo de estudante sabe que o que está em jogo por trás dos cortes do orçamento das Universidades públicas é a própria existência destas instituições. Sabe que estas não interessam mais às elites do atraso posto que estão constituídas por uma maioria de estudantes negros e de baixa renda fruto da política de cotas de Lula e Dilma.
O que Bolsonaro pretende fazer com o ensino superior público é algo muito mais danoso do que fez a ditadura militar, que apenas perseguiu o estudante e professor que defendia a democracia, mas no fundamental manteve a universidade pública.
A extrema-direita no poder visa é destruir a educação pública superior e com ela a própria Constituição Cidadã de 1988.
O pacto que Bolsonaro almeja é para concentrar poder absoluto em suas mãos e com isso acabar de destruir a soberania nacional e os direitos do povo brasileiro. Por isso tenta submeter os demais Poderes da República e desidratar a Constituição para poder jogá-la no lixo.
Coerente com o que disse nos Estados Unidos, que veio para “desconstruir e não para construir”, Bolsonaro e Paulo Guedes, o seu “ministro do mercado”, provocaram a recessão da economia.
Segundo o IBGE, o PIB teve uma contração de 0,2% em relação ao quarto trimestre do ano passado.
Além dos 13,2 milhões de desempregados ainda temos 28,4 milhões de trabalhadores sem trabalho ou subempregados no país. Na comparação com o trimestre encerrado em janeiro, houve crescimento de 3,9%, alcançando um contingente de 1,06 milhão de pessoas. Essa é a cara mais brutal da recessão.
Seria a recessão um erro da política econômica ou apenas o resultado da política de “desconstrução” de uma economia que tem como referência institucional a Constituição de 88?
O que as elites do atraso querem é uma sociedade socialmente polarizada, onde no topo esteja a minoria com renda hiperconcentrada e na base a grande maioria composta por trabalhadores vivendo em condições de miséria, submetidos ao trabalho precarizado e até mesmo escravo, sem direitos nem aposentadoria e com salários tão aviltantes que quase não garante a sobrevivência.
Como Bolsonaro acabou de reconhecer “quem gosta de pobre é o PT”, por ele procura implantar a ferro e fogo esse “paraíso” do capitalismo selvagem.
Para isso, no entanto, precisa eliminar obstáculos como a educação pública superior, os movimentos social e sindical e a qualquer preço manter Lula preso, pois com sua liderança popular e a memória de seu governo na cabeça do povo o ex-presidente é o símbolo vivo da Constituição Cidadã, especialmente no que ela garante de direitos sociais e trabalhistas e defesa da soberania nacional.
Demonstrando a mesma força que as anteriores, a nova rodada das manifestações dos estudantes e professores sinaliza que a luta de classes, que até então favorecia às elites do atraso contra o povo, começa a virar o jogo com a mobilização dos segmentos mais conscientes do amplo e diversificado mundo do trabalho, do qual a universidade pública é parte.
A consciência pelo que se luta, reforçada pela reação obscurantista do poder fascista, torna cada vez mais claro que defendemos os valores da civilização contra a barbárie do capitalismo selvagem, valores representados principalmente pelas cláusulas pétreas dos direitos e garantias fundamentais da Constituição.
Esse é o futuro pelo qual lutam os jovens nas ruas e que se juntarão à Greve Geral contra a Reforma da Previdência, marcada pelas Centrais Sindicais para o dia 14 de junho.
*Benedita da Silva é deputada federal (PT/RJ).
Viomundo
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