
por Raquel Wandelli
O prefeito Gean Loureiro (eleito pelo MDB/SC) foi preso na manhã desta terça-feira (18), em Florianópolis pela Polícia Federal em seu gabinete. Ele está indiciado na Operação “Chabu”, desencadeada para desarticular uma organização que violava sigilo de operações policiais em Santa Catarina, incluindo a Operação Eclipse. Entre os sete mandados de prisão temporária expedidos como parte da Operação Chabu está também o do delegado Fernando Caieron, da Polícia Federal em Florianópolis, preso em Porto Alegre.
Ao todo 30 mandados são cumpridos, sendo 23 de busca e apreensão e sete de prisão temporária, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre (RS). Foram presos temporariamente ainda o diretor de Comunicação do Sindicato dos Policiais Rodoviários de Santa Catarina (SINPRF-SC), Marcelo Roberto Paiva Winter e o ex-secretário da Casa Civil no governo de Eduardo Moreira, Luciano Veloso Lima. A prisão temporária tem duração de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco.
Acusado na Operação Eclipse, que investiga o uso de alta tecnologia em serviço de inteligência para encobrir desvio de verbas públicas e cobrar jabás por isso, o prefeito está implicado por participar de um grande esquema de corrupção envolvendo dirigentes e políticos de partidos governistas que apoiam Bolsonaro em Santa Catarina.
Após diligências iniciadas em agosto de 2018, dentro da Eclipse, a Polícia Federal apurou que o grupo suspeito construiu uma rede composta por um núcleo político, empresários, e servidores do órgão e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) lotados em órgão de inteligência e investigação. Seu objetivo seria atrapalhar ou embaçar o trabalho policial em andamento e proteger os investigados, sobretudo do “núcleo duro”, em troca de propinas de dinheiro ou de favores políticos.
As investigações apontam prática de crimes de associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, corrupção ativa, além da tentativa de interferir em investigação penal envolvendo organização criminosa, segundo a PF
O significado de “Chabu”, que nomeia a operação, é provocar falha no sistema, usado para descrever, por exemplo, falha em fogos de artifício. Segundo a PF, o termo era empregado por alguns dos investigados para alertar sobre a existência de operações policiais antes de ocorrerem. A operação é mantida em segredo de justiça, sem maiores explicações, sob a relatoria do desembargador federal Leandro Paulsen.
Eleito pelo MDB/SC, Gean Loureiro, 47 anos, formado em Direito, se desfiliou do partido em 28 de maio por insatisfações com a cúpula. Ainda está sendo cogitada sua filiação para partidos da base governista federal, como PSD e PRB.
EMPRESAS LARANJA
Ontem a juíza Janaína Cassol Machado, que está a frente do processo criminal da Operação Alcatraz pela Justiça Federal em Santa Catarina, autorizou a prorrogação por 15 dias do prazo para a conclusão do inquérito da Operação. A Alcatraz envolve desvio de recursos, fraudes em licitações e crimes tributários praticados por órgãos de Santa Catarina e de Florianópolis, como a Epagri e Secretaria de Estado da Administração. O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Júlio Garcia (PSD) também é citado no pedido de prisão e afastamento da prisão de 11 pessoas detidas no dia 31 de maio deste ano.
Trata-se da produção de notas frias, por empresas de fachada na área de segurança, principalmente. Já há presos preventivamente na ação. Janaína é a mesma que autorizou a prisão do reitor Carlos Cancellier. O delegado Igor Gervini pediu a extensão da investigação para que os agentes tenham até o final de junho para concluir o inquérito.
Jornalistas Livres

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