O Ministro da Economia ameaçou os jovens com (mais) desemprego se a Câmara votar para que haja contribuição das empresas para a capitalização previdenciária de seus empregados.
Ao reagir ao relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira, que teme que a constribuição isolada do trabalhador não vá cobrir as despesas de sua aposentadoria – o que é uma obviedade – Paulo Guedes disse que ““pode botar [encargo sobre as empresas], mas começa a ter desemprego entre os jovens também”, segundo a Folha.
Como qualquer novo contrato, por um regime de capitalização sem contribuição patronal é, evidentemente, vantagem para as empresas, vai ser difícil que qualquer emprego dos atuais sobreviva: quem quiser continuar nele terá de aceitar a demissão e recontratação pelo regime de capitalização.
Pior ainda: a taxa de rotatividade no emprego, no Brasil, é estupidamente alta, com a regras atuais. Por mês, são cerca de 1,3 milhão de dispensas e de contratações. Mesmo que se proibisse, por qualquer artifício, a possibilidade de demissão e posterior recontratação, no “regime novo”, bastaria isso para tirar, em um ano, mais de 20 milhões de contribuintes da “velha Previdência”, tornando mais agudo o déficit.
O que o ministro quer é, sem meias palavras, o genocídio do direito previdenciário dos brasileiros.
Curioso que Guedes fale que “começa a ter desemprego entre jovens também” quando o Brasil tem uma taxa de desemprego de 27,3% na faixa dos 18 a 24 anos.
TIJOLAÇO

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